23 de outubro de 2026

Professora da Uespi denuncia ter recebido 13 bilhetes com ameaças de morte após participar de atos políticos em Parnaíba

A coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), campus de Parnaíba, Samara Oliveira, registrou um boletim de ocorrência após encontrar 13 bilhetes em seu laboratório, na universidade. Segundo a professora, alguns continham ameaças de morte e foram deixados no local após sua participação em atos políticos.

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A coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), campus de Parnaíba, Samara Oliveira, registrou um boletim de ocorrência após encontrar 13 bilhetes em seu laboratório, na universidade. Segundo a professora, alguns continham ameaças de morte e foram deixados no local após sua participação em atos políticos.

Entre as mensagens estavam frases como “Samara aqui jaz” e “vai para o saco preto”. Outros bilhetes apresentavam apenas desenhos de cruzes, quadrados e triângulos.

A docente informou que os papéis foram colocados por baixo da porta do laboratório, que não apresentava sinais de arrombamento.

“Foram deixados por debaixo da porta do laboratório do curso de pedagogia da Uespi, campus de Parnaíba, 13 bilhetes contendo ameaças de morte dirigidas a mim. Ao entrar no laboratório, acompanhada por cinco alunos, encontrei os bilhetes no chão, logo abaixo da porta”, afirmou.

Ela relatou ainda que acredita que os bilhetes possam representar ameaças reais e não descarta a possibilidade de que tenham sido deixados como forma de intimidação, já que foram encontrados poucos dias após sua participação em atos políticos.

“Eu queria muito que fosse para intimidar. Eu não sei se era para intimidar. Espero que seja. Mas não recuei, continuei meu trabalho no movimento”, declarou.

Apesar do medo provocado pelas ameaças, Samara afirmou que não pretende deixar de participar das manifestações políticas.

“Eu vou com medo, mas sinto que tenho que ir. Espero que o Estado faça a investigação e descubra quem fez isso. Tenho a sensação de que a pessoa conhecia minha rotina e sabia que eu estaria no campus naquele dia”, declarou.

Além do boletim de ocorrência registrado em Parnaíba, Samara informou ter formalizado denúncias e pedidos de providências à CGU, à Ouvidoria e à Reitoria da Uespi, à direção do campus, à Secretaria de Segurança Pública do Piauí e ao Ministério Público Estadual. A professora também prestou depoimento à Polícia Civil e aguarda os encaminhamentos do caso.

Em nota, a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí (ADCESP), seção sindical do ANDES-SN, manifestou solidariedade à professora Samara de Oliveira Silva e repudiou as ameaças de morte relatadas pela docente. A entidade cobrou uma investigação rigorosa da Secretaria de Segurança Pública do Piauí e pediu à Reitoria da Uespi a adoção de medidas para garantir a segurança da professora.

Sobre o caso, a Universidade Estadual do Piauí (Uespi) informou que não tem um posicionamento oficial a apresentar neste momento.

Leia a nota na íntegra

NOTA DE SOLIDARIEDADE À PROFESSORA SAMARA E DE REPÚDIO ÀS AMEAÇAS DE MORTE

A Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí (ADCESP), Seção Sindical do ANDES-SN, manifesta sua irrestrita solidariedade à professora Samara de Oliveira Silva, integrante da direção da ADCESP na Coordenação Regional de Parnaíba, diante da grave denúncia de ameaça de morte sofrida pela docente. Há suspeitas de que a ameaça tenha origem em setores do bolsonarismo de Parnaíba, o que precisa ser rigorosamente investigado.

Samara é professora do curso de Pedagogia da Uespi, respeitada pesquisadora sobre Educação, e uma liderança sindical que atua em consonância com as resoluções do 69º CONAD do ANDES-SN. Dentre as decisões do evento, está o enfrentamento à extrema direita, cujas políticas e ações representam ameaças aos serviços públicos, às universidades e aos direitos da classe trabalhadora.

Neste segundo turno das eleições presidenciais, esse posicionamento se expressa na defesa do voto no 13, de Lula, pelo ANDES-SN e suas seções sindicais. Em Assembleia Geral realizada no dia 7 de outubro, os(as) filiados(as) da ADCESP decidiram democraticamente ratificar essa orientação, reafirmando que o voto no 13 não representa um cheque em branco, tampouco a renúncia à autonomia e à independência sindical diante de qualquer governo.

Repudiamos veementemente essa tentativa de intimidação, praticada por quem se acovarda no anonimato para ameaçar a vida de uma professora e dirigente sindical. Ameaças dessa natureza são inadmissíveis e constituem uma afronta à liberdade de expressão, à organização sindical e aos princípios democráticos.

Exigimos da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí uma investigação célere, rigorosa e transparente, capaz de identificar e responsabilizar o autor ou os autores da ameaça, bem como a adoção imediata das medidas necessárias para garantir a segurança e a integridade física da professora Samara. Além disso, o sindicato também encaminhou ofício para a reitoria da UESPI pedindo que a universidade tome as medidas cabíveis e necessárias nesse momento.

Não aceitaremos que ameaças, intimidações ou qualquer forma de violência sejam utilizadas para tentar silenciar docentes, dirigentes sindicais ou qualquer pessoa que exerça legitimamente seus direitos políticos e democráticos.

A ADCESP seguirá firme na luta em defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada, da liberdade de expressão, do direito à organização sindical e do respeito às diferenças. Não abriremos mão do enfrentamento à extrema direita nem da defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora.

Toda solidariedade à professora Samara!

Ameaças não nos calarão!

Diretoria da ADCESP – Seção Sindical do ANDES-SN


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