29 de outubro de 2026

Dia Mundial de Combate ao AVC: especialista orienta sobre prevenção e sinais da doença vascular

Em entrevista à TV Clube, o médico neurologista Marcelo Adriano explicou os principais fatores de risco e a importância do atendimento médico imediato.

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O Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) é celebrado nesta quinta-feira (29). A data tem como objetivo conscientizar a população sobre a doença. Em entrevista à TV Clube, o médico neurologista Marcelo Adriano explicou os principais fatores de risco e a importância do atendimento médico imediato.

De acordo com o especialista, os principais fatores de risco são hipertensão arterial não tratada, diabetes descontrolado, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e apneia do sono.

Médico neurologista Marcelo Adriano (Foto: TV Clube)

Entre os fatores que podem ser mais silenciosos, destaca-se o colesterol elevado, que provoca o acúmulo de placas de gordura nas artérias.

“Inicialmente, pode provocar uma obstrução apenas parcial, que pode se instabilizar, ulcerar, ou seja, ferir, formar um coágulo e promover uma obstrução completa, seja naquele local, seja fragmentando-se em várias pequenas bolinhas de gordura, que vão adiante na circulação e vão terminar encontrando um vaso sanguíneo de menor calibre até entupi-lo e provocar a isquemia cerebral”, explicou.

Carla, de 33 anos, relatou que já sentiu formigamentos na região posterior do pescoço, que se irradiavam para o braço direito. Ela também percebeu que seu rosto ficou dormente e ligeiramente torto, mas os sintomas desapareceram após algum tempo. Segundo o médico, os sinais relatados por ela representam um alerta para a possibilidade de AVC.

“Como ela se recuperou e durou pouco tempo, seguramente ela não teve AVC, mas ela pode ter sofrido o que chamamos de Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que é um pré-AVC, é um aviso”, disse.

Conforme o neurologista, cerca de 30% a 40% dos AVCs são precedidos por um AIT nos dois meses anteriores.

“Então, ela pode estar numa faixa etária em que não costuma acontecer, mas há esse risco com um percentual importante. É importante que ela busque um médico, ela vai ter que ver como é que estão as carótidas, como é que está o coração. Tem uma série de providências de exames a serem realizados”, alertou.

Nem toda dormência no corpo, necessariamente, indica risco de AVC, segundo o especialista.

“Quando a dormência se estende a uma metade do corpo, ou seja, pega a face, metade do tronco, braço e perna, especialmente se dura mais do que alguns minutos, isso é um alerta para a possibilidade de estar ocorrendo um AVC”, explicou.

Sinais de alerta

Os principais sinais de alerta são dormência, formigamento ou fraqueza de um lado do corpo, tontura, desequilíbrio, perda repentina e persistente da coordenação motora, dor de cabeça que surge subitamente e atinge forte intensidade no primeiro minuto, além de perda da visão e dificuldade na fala.

“É um ponto bastante importante, porque hoje existe tratamento para a fase aguda do AVC. Se o paciente chegar em poucas horas a um hospital que tenha uma unidade de AVC, esse coágulo poderá ser dissolvido, seja por medicação, seja mecanicamente. Então, vários estudos mostraram que, diante desses sintomas, a melhor conduta é ligar para o SAMU 192”, orientou o médico.

Ainda de acordo com o neurologista, o ideal não é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), pois essas unidades geralmente não possuem estrutura adequada para tratar casos de AVC. Nessas situações, cada minuto é fundamental.

“Não é ligar para um médico amigo, não é tomar aguardente alemã, não é pedir para alguém levar para uma UPA. A UPA não vai ter condição de tratar AVC, só vai fazer perder tempo. Então, ligando para o SAMU (192), toda suspeita de AVC é direcionada para o hospital que tem capacidade de tratar o AVC. Então, esse paciente vai direto para essa unidade”, finalizou.


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