
Malu Barreto
malubarreto@tvclube.com.br
Ter voz e ser ouvida. É isso que buscam as adolescentes ouvidas pelo portal ClubeNews neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. As adolescentes procuram no empoderamento a força para combater o racismo desde a infância, amando sua cor, seu cabelo e o seu sorriso. A representatividade da mulher negra, a cada dia, ganha mais espaço em uma sociedade marcada por anos de escravidão. O portal ClubeNews conversou com adolescentes que desde cedo já carregam uma certeza na vida: a luta contra o preconceito.
Elas defendem maior visibilidade, mulheres negras assumindo cargos de comando, sendo referência na música, no teatro, nas salas de aula, dentro das universidades e nas grandes corporações, por exemplo.
Se sentir inferior por causa da beleza não está no reportório. É o caso da adolescente Inaê Feitosa, de 14 anos, que faz parte do Grupo de Cultura Afro Ijexá. Ela é orgulhosa do seu cabelo e da sua identidade. A referência vem da aproximação com a cultura Afro, que a inspirou a se valorizar e amar como mulher negra.
“Dentro do movimento a gente aprende a valorizar o nosso cabelo, a nossa cor e a nossa cultura”, diz.
A jovem contou que já sofreu preconceito e diz que a melhor forma de lidar com o racismo é através do conhecimento, com falas negras e projetos. “Tivemos 300 anos de escravidão e agora queremos nos inserir numa sociedade justa e com igualdade. Eu me vejo realizando todos os meus objetivos, entrando numa universidade e me inserindo no mercado de trabalho”.

Em relação a representatividade na mídia, Inaê citou os artistas negros que mais gosta, como as cantoras internacionais Beyoncê e Megan Thee Stallion e a cantora brasileira Iza . “São mulheres pretas e empoderadas, eu gosto das falas delas nas músicas, das participações delas em prêmios. Me identifico”.
Maria Eduarda tem 15 anos e diz que sua autoestima vem das tranças que usa com frequência. A jovem que se declarou apaixonada pelo cabelo diz que também gosta muito de usar o turbante [símbolo de resistência, afirmação de sua identidade negra e de luta contra a discriminação e o preconceito racial], mas que ultimamente vem se sentido insegura ao usar o acessório. “Recebo olhares esquisitos, até mesmo na escola. Sei que não é comum ver pessoas negras de turbante”.
A adolescente que gosta muito da cultura pop e tem como ídolo Michael Jackson, revela que se sente muito representada pela cantora norte-americana Lizzo. “Como uma menina negra, vejo que a representatividade importa muito, e agora na adolescência estou tendo mais referências. A cantora Lizzo, além de negra, é plus size e me vejo muito representada por ela. Também gosto muito da Beyonce e Rihanna”, revelou.
Procurar conhecer movimentos negros, as lutas e a ancestralidade também é um ponto importante para Eduarda, que afirma que, muitas vezes, estes fatos não são contados nos livros de história.
“A gente tem Martin Luther King, Malcom X, Rosa Parks, Black Panthers que foi um movimento nos anos 60 e 70 e muitas vezes a gente não vê essas lutas negras do passado. É importante lembrar da luta para conseguir entender e superar os problemas do presente para não termos eles no futuro”, complementa.
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!