
A greve dos motoristas e cobradores do transporte coletivo em Teresina completa 15 dias nesta segunda-feira (04). A cidade continua com 100% dos ônibus parados nas garagens das empresas em descumprimento a duas decisões judiciais, que obriga a circulação de 80% da frota em horário de pico e de 60% da frota no entre pico.
Os empresários alegam que a ordem é descumprida pelos trabalhadores; já o sindicato dos trabalhadores rebate que não há nenhum movimento que impeça a saída dos ônibus. Enquanto isso, mais de 180 mil usuários estão prejudicados sem conseguir circular pela cidade.
O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22) e o Ministério Público do Trabalho tentam negociar um acordo entre a Prefeitura de Teresina, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) e Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários no Estado do Piauí (Sintetro).
GREVE
De acordo com o Sintetro, a greve reivindica reajuste salarial e o retorno de benefícios.
Os servidores do transporte coletivo, segundo o Sintetro, estão sem reajustes de salário desde 2019. Em 2020, os planos de saúde e ticket-alimentação foram suspensos.
O Sintetro também afirma que “mesmo tendo carteira assinada, muitos foram obrigados a trabalharem no regime de diária”.
“Mesmo com todos os problemas, os profissionais estão à disposição das empresas para retornarem suas atividades a fim de aliviar a vida dos teresinenses, bem como dialogar sobre as demandas da classe”, diz.
SETUT
Em nota divulgada na última quinta-feira (31), o Setut informou que “lamenta a manutenção da greve realizada pelo sindicato dos motoristas e informa que tem participado de mesas de negociações e propostas junto à Superintendência Regional do Trabalho no Piauí e da Superintendência Municipal de Transportes buscando solucionar as demandas trabalhistas”.
No sábado, as empresas emitiram a seguinte nota: “o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) informa que as empresas estão disponibilizando toda a frota de ônibus para circulação na cidade. Contudo, o Sindicato dos Trabalhadores (SINTETRO) tem impedido a saída dos veículos e descumprido a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a circulação de 80% da frota nos horários de pico e 60% nos entre picos“.
Sobre a circulação dos ônibus, o Sintetro rebateu e disse que o Setut recorreu a “fake news”, ou seja, uma informação falsa, para não cumprir a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Prefeitura de Teresina
Na semana passada, o ex-secretário de finanças, Robert Rios, relatou que a Secretaria Municipal de Finanças não iria repassar mais nenhum recurso se a greve dos trabalhadores continuasse. Após essa declaração, Robert Rios foi exonerado da pasta para disputar as eleições em outubro. Atualmente, ele exerce apenas o mandato de vice-prefeito.
MPT
O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT), Edno Moura, defendeu que a crise do transporte coletivo de Teresina só será resolvida com a assinatura da convenção coletiva entre os trabalhadores e os empresários do setor. Edno Moura comenta que o atual movimento grevista não é “culpa dos trabalhadores”.
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