24 de junho de 2026

Operação investiga suposta empresa de fachada que prestava serviços em São Julião, no Piauí

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Uma empresa e um ex-agente público são investigados por contratos irregulares na prestação de serviços na cidade de São Julião, a 390 km de Teresina. Até o momento, ninguém foi preso. As equipes da Polícia Civil do Piauí cumprem mandados de busca e apreensão e de sequestro patrimonial dos suspeitos. A Justiça determinou o sequestro patrimonial de R$ 3 milhões da empresa investigada.

A operação Desvio, deflagrada nesta quinta-feira (5) pela Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR), cumpre mandados nas cidades de São Julião (PI) e em Araripina no estado de Pernambuco.  As equipes estão no estado pernambucano porque o ex-agente público reside na região.

O delegado Ferdinando Martins, da DECCOR, explicou que o inquérito policial iniciou no ano de 2020, após denúncias de “empresas de fachada” com atuação em São Julião. Esse tipo de empresa é legalmente constituída e participa do mercado, mas é utilizada para fins ilícitos.

O material já apreendido aponta para fraude a licitações, desvio de recursos públicos (peculato), corrupção passiva e corrupção.

“Algumas contratações, de 2017 até 2021, favoreciam apenas uma determinada empresa que praticamente realizava todo e qualquer serviço no município para a manutenção de poços, coleta de lixos, mesmo sem dispor de qualquer estrutura, nenhum caminhão, nenhum patrimônio. As investigações apontam que essa empresa foi beneficiada, houve um certo direcionamento por parte de um agente público, na época pregoeiro, para também se beneficiar”, comentou o delegado.

Após os cumprimentos de mandados nesta quinta, o delegado ressaltou que a investigação continua para identificar os demais envolvidos no esquema criminoso. “Certamente, uma engrenagem como essa, não se restringe a uma empresa ou a um particular”, complementa.

O delegado reforça a participação da população no combate à corrupção. “Algumas denúncias são apresentadas por populares, algumas anônimas. Recebemos algumas informações dos demais órgão de controle, do Ministério Público, do Tribunal de Contas”.

“Precisa de uma maior fiscalização, inclusive por parte da sociedade, do controle social, de verificar atividades econômicas de pessoas geralmente ligadas a determinados grupos políticos que acabam se beneficiando por essas empresas ‘de papel’, de ‘fachada’”.


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