Mesmo com reajuste no frete, caminheiros relatam que alta do diesel reduz lucro e dificulta viagens

Caminhoneiros já relatam que alguns autônomos pensam em deixar a profissão

Caminhoneiro José Elias – Foto: arquivo

Mesmo com o frete mais caro, quem viaja o Brasil fazendo o transporte de carga garante que o lucro está sendo cada dia menor, diante dos sucessivos aumentos no preço dos combustíveis, com a alta do barril de petróleo.

“Tem que caçar outra profissão porque se o óleo diesel continuar subindo a tendência é muito autônomo parar (de rodar com os caminhões), diz o motorista Heldon Francisco.

O caminhoneiro José Elias Alves, que roda o Brasil, diz que é difícil manter a família com o pouco de lucro a cada viagem já que parte do que ganha vai para abastecer o veículo.

“Para manter a família em casa está um problema. Se você arruma um frete de R$ 1 mil, tem que deixar pelo menos R$ 500 em casa para ver se a mulher faz alguma coisa. Teve esse frete de R$ 3 mil, mas o tanque (de gasolina) está seco, não sobrou nada”, lamenta.

Caminhão – Foto: arquivo

Frete x Diesel 

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajustou a tabela do piso mínimo do frete do transporte rodoviário de cargas entre 11% e 14%, a depender do tipo da carga e número de eixos. A medida começou a valer no dia 18 de março, com publicação no Diário Oficial da União.

A ANTT discutiu o reajuste após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) divulgar a variação do preço médio do Diesel S10 em R$ 6,75 por litro.

Com o reajuste, o frete de um veículo que transporta uma carga frigorifica, por exemplo, passa a valor R$3,51 por quilômetro rodado. Já uma carga perigosa liquida será de R$ 3,56 por quilômetro rodado, além de uma taxa de R$ 364 para carga e descarga.

Foto: arquivo

Aumento nos produtos transportados

O aumento no frete não afeta apenas o caminheiro, que acaba ficando com uma margem de lucro menor, mas também prejudica o consumidor final do produto transportado que chega ao supermercado, por exemplo.

A dona de casa Maria das Dores Pereira diz que cada ida ao supermercado é assustadora. “Você compra uma coisa e na outra vez já é outro preço. Os itens da cesta básica estão pesados”.

A gerente de supermercado, Layara Carreiro, conta que com o local adotou medidas para continuar com as vendas. “A empresa está sendo reduzido as suas margens de venda para que esse produto não chegue tão encarecido na casa do consumidor”.

O presidente do Sindicato dos Distribuidores de Carga, Humberto Lopes, relata que o transporte – assim como outras áreas – vivem um momento difícil.

“Estamos repassando, mas não dá para repassar tudo. Estamos tendo dificuldade em repassar porque o aumento é muito alto, e temos uma defasagem de anos. Isso tem dificultado a nossa atuação. O setor de transportes está passando por um momento difícil, como outros setores”, comenta.

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