
“Dia dois de fevereiro. Dia de festa no mar. Eu quero ser o primeiro. Pra saudar Yemanjá“. E é na canção – consagrada na voz de Dorival Caymmi – que o Portal ClubeNews conversou com o Pai Tony de Yemanjá, sacerdote umbandista fundador da Casa de Yemanjá, em Teresina, para conhecer melhor a história desse orixá feminino do Candomblé e da Umbanda.
Também conhecida como Rainha do Mar, a divindade comemora – tradicionalmente – o seu dia nesta quinta-feira (02). Yemanjá sempre esteve presente na vida de Pai Tony. “A Rainha do Mar banha os seus filhos, tirando todas as impurezas, energias ruins e trazendo a prosperidade”.
“Na Umbanda, Yemanjá significa a energia renovadora, acolhimento e amparo materno, além de se apresentar de forma vibracional em várias correntes e possuir uma força muito intensa”, destacou.
Para o sacerdote umbandista, a maior das oferendas é a fé. “Se você tem fé, acredita, confia e coloca seus joelhos diante dela, sem dúvida todos os seus pedidos serão atendidos”, relatou.

RAINHA DO MAR
A capital de Teresina é a única entre os estados nordestinos que não é – fisicamente – “banhada pelo mar”. E, anualmente, Pai Tony e um grupo de pessoas vão até Luís Correia, litoral do estado, saudar a Rainha do Mar, pessoalmente. A distância entre as duas cidades – de carro – é de quase 350 km.
O sacerdote comenta que por vários pontos do estado piauiense tem uma estátua de Yemanjá, pedindo proteção aos pescadores e moradores da região. Em Teresina, há uma imagem na Avenida Marechal de Castelo Branco, próximo do balão com a Avenida Barão de Castelo Branco, onde recebe muitas homenagens – flores e velas, em especial hoje.
“Muitas pessoas vão até ela, oferecem flores e pedem proteção. Em nossa casa, todos os anos realizamos uma viagem até Luís Correia, no mês de junho, onde todos os filhos tem a oportunidade de está próximo da nossa mãe”, disse.
OFERENDAS E SINCRETISMO
Outro costume muito tradicional dos filhos da Rainha do Mar é a entrega de oferendas. Geralmente, isto acontece nos últimos dias de dezembro, em agradecimento pelo ano que passou. Mas, não precisa de dia específico para saudar e agradecer às benções de Yemanjá.
Segundo Tony de Yemanjá, esta tradição – da entrega de oferenda – teve início do século XX, em Salvador, capital da Bahia. “Por volta da década de 1920, há relatos de pescadores oferecerem presentes à Yemanjá, por causa da escassez. A partir de então, outras pessoas seguram o exemplo em Salvador e o costume se espalhou por todo o país”, relatou.
Os devotos costumam presentear a padroeira dos pescadores – como também é conhecida o orixá – com flores brancas, champanhe, velas e alfazema. Mas, para o sacerdote umbandista, a maior das oferendas é a fé.
“Se você tem fé, acredita, confia e coloca seus joelhos diante dela, sem dúvida todos os seus pedidos serão atendidos”, relatou.
No sincretismo religioso – entre a cultura religiosa africana e os ritos católicos no Brasil – Yemanjá corresponde a Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
As religiões de matrizes africanas, como a Umbanda e o Candomblé, sofrem com a intolerância religiosa. Pai Tony relata que já sofreu preconceito por suas crenças, assim como todos os pais de santo, filhos de santo e fiéis de Yemanjá. “Muita gente associa a Umbanda ao mal, sem antes conhecer. Mas nós pregamos o amor, a transformação espiritual e terrena”, pontuou.
AS SETES ONDAS DE IEMANJÁ – CONHEÇA UM DOS PONTOS TRADICIONAIS
“Que a primeira onda a nos tocar afaste de nossas mentes todos os eventuais desejos de vingança;
Que a segunda lave nossos corações e nosso espírito para que não nos atinjam as infâmias e malquerença de nossos desafetos;
Que a terceira onda afaste a vaidade de nossos corações;
Que a quarta lave nosso corpo de todos os males e doenças físicas para que, sadios, possamos prosseguir;
Que a quinta onda afaste de nossa mente a ganância e a cobiça;
Que a sexta onda venha carregada de flores e que nosso maior desejo seja o de cultivar o amor fraternal que deve existir entre todos os homens;
Que ao passar a sétima onda, nós, puros e limpos de mente, corpo e alma, possamos ver, ainda que apenas por alguns segundos, o esplendor de vossa radiosa imagem. É o que humildemente vos suplicam seus filhos”.
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