Peeling de fenol: processo deve ser feito por médicos; substância pode fazer mal à saúde

Empresário paulista morreu ao fazer procedimento em clínica de estética em São Paulo

Peeling de fenol só deve ser feito com especialista.  (Divulgação/SAÚDE é Vital)

Uma polêmica acerca do uso do peeling de fenol tomou conta da sociedade brasileira nos últimos dias. O procedimento que tem por objetivo causar o rejuvenescimento da pele, por meio de uma queimadura, induzido por substância, se popularizou nas redes sociais por conta dos resultados apresentados.

Apesar de prometer um ganho significativo na qualidade da pele, pode haver danos à saúde e levar à morte, caso seja realizado de forma indevida ou por uma pessoa não habilitada.

O empresário paulista Henrique Silva Chagas, de 27 anos, foi a óbito ao passar pelo processo em uma clínica em São Paulo, no dia 03 de junho. A suspeita é que o jovem tenha tido uma reação alérgica ao tratamento e, em decorrência da substância química, teve um choque anafilático.

Henrique Chagas (Foto: TVClube)

O cirurgião plástico, Evaldo Batista, trabalha há 20 anos na área e explica que o peeling não é uma novidade. “É um peeling extremamente seguro. O resultado dele é espetacular, maravilhoso, inacreditável, não existe nada que dê o resultado que o fenol dá, isso realmente é uma verdade”, inicia.

Médico Evaldo Batista (Foto: TVClube)

O procedimento é seguro e, de fato, promove um pós, maravilhoso, desde que seja realizado por profissionais especializados. “Não era segura há uns 30 anos, até que houve a modificação dessa fórmula, porque o fenol não penetra na pele, quando você associa com outra substância, ele consegue penetrar na pele”, continua.

O especialista fala que o método causa um reparação tecidual, “por isso que nasce a pele de bebê, bem hidratada e nova”. O fenol é uma substância química que tem toxicidade para diversos órgãos do corpo humano, como o coração, rins e fígado. Quando o produto é utilizado, ele atinge a vascularização e é disseminado para o todo o corpo.

O fígado vai metabolizá-lo, em seguida os rins vão eliminá-lo. A questão é que, durante esse intervalo, dependendo da quantidade que o paciente foi exposto, ele pode ser intoxicado, desenvolver uma hepatite, parada renal ou cardiorrespiratória. Além disso, a imunidade pode vir ficar fragilizada, afirma o médico.

“Ele é metabolizado pelo fígado, dependendo da concentração pode causar uma lesão hepática, e a pessoa pode morrer em consequência da hepatite medicamentosa. Ele é eliminado pelo rim, então também é tóxico para o rim e pode dar uma parada renal”, detalha.

O cirurgião pondera que o peeling deve ser realizados por médicos que trabalham com a medicina estética, pois é necessário conhecer as condutas a serem adotadas. Ademais, é exigida uma avaliação médica completa, para se ter certeza que o paciente está apto a ser submetido ao tratamento.

“A gente avalia os exames, principalmente cardiológicos, de fígado e rim, para saber se tem alguma patologia. Se tiver alguma patologia associada, hipertensão arterial, diabete, é melhor preparar o paciente para depois você fazer o peeling de fenol”, finaliza.


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