Síndrome do Ninho Vazio: saída dos filhos de casa pode afetar a saúde mental dos pais

Termo caracteriza o sentimento de solidão, tristeza e desamparo sentindo por pais, ao lidarem com o espaço deixado pelos filhos.

Síndrome do Ninho Vazio afeta homens e mulheres (Foto: pixabay/AndrewNeel)

A lacuna deixada pelos filhos que estão construindo as próprias vidas nem sempre é encarada de maneira positiva pelos pais. A saída dos filhos de casa pode provocar o sentimento de tristeza e solidão para as famílias, resultando na Síndrome do Ninho Vazio.

O termo descreve esse combo de emoções sentidas por familiares, que dependendo da forma de tratamento de cada indivíduo, pode evoluir para um quadro depressivo.

O médico psiquiatra Vicente Gomes explica que a sintomatologia é normal, principalmente quando a saída dos filhos da casa seja recente.

“É normal essas emoções; o sentimento de saudade, isso faz parte. Agora, a partir do momento em que isso passa a ficar constante, prejudicando o dia a dia, é hora de procurar uma ajuda”, fala.

Não existe um prazo limite para lidar com essa ausência, segundo o especialista, mas se a recorrência desses sintomas começarem a comprometer a rotina dos pais, há necessidade que isso seja tratado.

“A partir do momento que aquele quadro evolui para um episódio depressivo, a partir de 14 dias que persisti os sintomas depressivos, aquela angústia de isolamento, de pensamentos negativos, de baixa estima, a gente já fala de quadro depressivo”, diz.

Para o médico, o recomendável é que as pessoas invistam em estratégias para lidar com essa falta. É necessário fazer uma análise das áreas da vida que precisam de atenção, buscar novos hábitos, relações e atividades semanais. Isso deve ser trabalhado de forma preventiva, quando os filhos ainda estão em casa, para que o foco não seja somente eles.

“Primeiramente, a mudança de estratégias no seu dia a dia. O ideal seria trabalhar com a parte preventiva, desde quando os filhos ainda estão dentro de casa. É procurar se dedicar realmente aos filhos, aproveitar tempo de qualidade, procurar outras redes de conexão afetiva também, ter aquele suporte social, isso é muito importante, nos fortalece e passa também para os nossos filhos”, pondera.

Além disso, os pais precisam lidar com a aceitação, entendendo as mudanças que estão acontecendo, encarando os fatos com ânimo e zelando por manter as relações. “A primeira coisa é aceitar o processo, não adianta brigar. Tem pai que não consegue passar por isso. É tentar manter aquele convívio, no sentindo de contato, a tecnologia está aí para nos ajudar”, avalia.

O médico ressalta que os sintomas podem acometer tanto homens como mulheres e o descuido acarreta em uma sobrecarga emocional para os filhos. A situação pode fazer com que os jovens tenham um comprometimento de suas atividades, como, por exemplo, o estudo e o trabalho. Caso a situação de controle não esteja no limite adequado, o recomendável é procurar ajuda de uma psicoterapia.

“Tem que ter cuidado para não sufocar. Isso pode comprometer o percurso, sucesso, atividades, estudo e o trabalho do filho. Tem que ter aquela moderação, equilíbrio para que o filho não sinta pressionado em ter que dar satisfação, ter que falar onde está, ter que estar sempre tendo aquele contato”, orienta.

 

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