
O celular se tornou uma ferramenta presente no cotidiano de crianças e adolescentes, seja para estudar, se comunicar ou se entreter. No entanto, o uso excessivo e desprotegido desses dispositivos tem exposto os jovens a riscos que vão muito além da dependência digital. Estamos falando de situações graves que envolvem violência, crimes cibernéticos e violações psicológicas profundas.
Um caso recente chocou o país: uma operação da Polícia Civil prendeu integrantes de uma quadrilha que compartilhava imagens íntimas de meninas e mulheres entre 11 e 19 anos nas redes sociais. As vítimas eram coagidas a participar de “desafios” humilhantes, incluindo automutilação, sob ameaça de exposição de fotos íntimas. A ação se estendeu por vários estados e revelou a crueldade de um esquema criminoso que explorava justamente a vulnerabilidade emocional de meninas em idade escolar.
Como neuropediatra, vejo diariamente os impactos neurológicos e comportamentais que o uso desenfreado da tecnologia pode causar em crianças e adolescentes: dificuldade de atenção, aumento da ansiedade, depressão, distúrbios do sono e uma crescente desconexão do mundo real. Além disso, o uso inadequado do celular pode comprometer o desenvolvimento da empatia, da comunicação interpessoal e da autorregulação emocional.
O cérebro em formação é altamente influenciável e, quando exposto precocemente a conteúdos inadequados ou experiências traumáticas, pode carregar consequências por toda a vida. Redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens criam um ambiente aparentemente inofensivo, mas que pode esconder práticas abusivas, manipulação emocional e crimes graves.
O contato com estranhos, o acesso a conteúdos violentos ou sexualizados, a exposição excessiva da imagem e o envolvimento em “desafios virais” são apenas alguns exemplos de comportamentos que colocam em risco a saúde física e mental dos nossos jovens. É fundamental que pais, mães e responsáveis estejam atentos. O diálogo aberto, a orientação constante e o uso de filtros de segurança são atitudes essenciais para proteger nossos filhos.
Celular não é brinquedo – é uma ferramenta poderosa que precisa de limites e acompanhamento. Mais do que controlar o tempo de uso, é necessário estar presente no universo digital das crianças. Afinal, segurança também se faz com afeto, presença e informação.
Por Dr. Ricello Lima – Neuropediatra
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!
