30 de novembro de 2025

Caso Tatiana Medeiros: “Estão me querendo pregar para Cristo”, diz Alandilson após depor em Teresina

A vereadora Tatiana Medeiros e Alandilson foram ouvidos no último dia da audiência de instrução e julgamento.
Atualizado há 1 dia

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O réu Alandilson Passos, apontado como companheiro da vereadora Tatiana Medeiros, prestou um breve depoimento nesta sexta-feira (28). Ao deixar o Fórum Eleitoral, ele se manifestou à imprensa, alegando que estavam tentando “pregar ele para Cristo”.

A vereadora Tatiana Medeiros e Alandilson foram ouvidos no último dia da audiência de instrução e julgamento. A audiência, que começou na segunda-feira (24), ouviu 65 testemunhas, além dos nove réus envolvidos no caso, que devem ser ouvidos até o fim do dia. O Ministério Público do Piauí (MP-PI) informou que o depoimento da vereadora quase duas horas, enquanto o do companheiro levou apenas 15 minutos.

Após o fim do depoimento o réu que é considerado companheiro da vereadora falou brevemente com a imprensa, após entrar na viatura que o levou de volta para a Penitenciária de Altos. “Estão querendo pregar Alandilson para Cristo”, disse o investigado.

O advogado de defesa, Wildes Próspero, afirmou que seu cliente, Alan, não é réu em nenhuma ação penal por envolvimento com facção criminosa, respondendo apenas ao processo de crime eleitoral.

Próspero desmente a informação de que seu cliente estaria ligado ao crime organizado. Ele citou a investigação policial para exemplificar, pontuando que uma das hipóteses do inquérito era verificar se a votação recebida pela vereadora (esposa de Alan) coincidia com áreas de domínio da facção Bonde dos 40.

“Quase 80% da votação é concentrada na zona Norte, que, infelizmente, é tomada por outra facção, denominada PCC”, explicou. O advogado ressaltou, com base nisso, que não há provas que liguem seu cliente a nenhuma facção.

Ele também discorda da posição do Ministério Público do Piauí (MP-PI), que relatou haver provas robustas sobre o envolvimento de Alan em facções.

Além disso, a defesa reforçou sua estratégia de pedir a anulação das provas obtidas durante uma operação do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc). Próspero finalizou dizendo que a audiência “correu dentro da normalidade” e que tem “as melhores expectativas possíveis” para o caso.

O promotor Mário Normando conta que agora a defesa e o MP-PI tem cinco dias para solicitar diligências, que vão ser feitas e analisadas pelo Juiz e, caso seja feito, posteriormente segue para as alegações finais e a finalização do processo, que vai definir a culpa ou não dos réus.

“O conjunto de provas que temos é muito significativo. Muito robusto. Como é um julgamento é um ato do poder judiciário ainda existe esse pedido de diligências. Só depois da análise, tanto pelo MP-PI e pela defesa, é que tem a previsão do julgamento”, conta.

Normando relata que o processo investiga sim a tentativa de facções criminosas tentarem se infiltrar no sistema eleitoral do Piauí, que há sim a criação de uma organização criminosa, com poder hierárquico, para fins eleitorais. Ele garante que não sabe se uma parte dos recursos usados na eleição de Tatiana Medeiros veio de uma facção criminosa, mas que veio de um dos membros, sendo ele Alandilson Passos.

O depoimento da vereadora Tatiana iniciou por volta de 10h. Ela apresentou um vídeo da instituição Vamos Juntos, que é fundadora, explicando como funciona o local, entre outros detalhes. A oitiva terminou por volta das 11h50. A parlamentar só respondeu às perguntas do juízo e da defesa; além de negar diversas acusações.

Apesar de ter prestado depoimento primeiro que o então companheiro, Tatiana saiu do Fórum Eleitoral cerca de 30 minutos após a saída de Alandilson.

O advogado de defesa, Edson Araújo, classificou o depoimento como excelente. “Demostrou a mesma segurança, a mesma tranquilidade que vem encarando esse processo desde o começo. Narrou todo o acontecido, toda a vida dela, foi de fundamental importância para a instrução”.

Processo e as acusações

O processo movido contra a vereadora Tatiana Medeiros (PSB) apura crimes graves, incluindo organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica, peculato e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia do Ministério Público Eleitoral, as investigações indicam práticas como compra ilícita de votos, uso de entidades assistenciais para manipulação eleitoral, movimentações financeiras suspeitas envolvendo familiares e assessores. Há, ainda, indícios de que a campanha da parlamentar foi financiada com recursos oriundos de facções criminosas.

Veja a lista dos investigados do processo:

  • Bruna Raquel Lima Sousa e Sávio de Carvalho França (Funcionários da ONG Vamos Juntos): Organização criminosa e corrupção eleitoral.
  • Tatiana Teixeira Medeiros (Vereadora): Organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, peculato e lavagem de dinheiro.
  • Alandilson Cardoso Passos (Namorado): Organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, agiotagem e lavagem de dinheiro.
  • Stênio Ferreira Santos (Padrasto): Organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, peculato, apropriação indébita eleitoral, agiotagem e lavagem de dinheiro.
  • Maria Odélia de Aguiar Medeiros (Mãe): Organização criminosa, corrupção eleitoral, apropriação indébita eleitoral e lavagem de dinheiro.
  • Emanuelly Pinho de Melo (Assessora): Organização criminosa, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro.
  • Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (Irmã): Organização criminosa e corrupção eleitoral.
  • Lucas de Carvalho Dias Sena (Cunhado): Organização criminosa e corrupção eleitoral.

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