30 de novembro de 2025

Atividades com a carnaúba podem acabar no Piauí por falta de mão de obra

Número de famíias que vivem do trabalho reduziu pela metade nos últimos 30 anos.
Atualizado há 49 minutos

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Atividades com a carnaúba, principal símbolo do Piauí, podem acabar no estado por falta de mão de obra. Em Campo Maior-PI, cerca de 1.500 famílias vivem da extração da palha para a produção da cera de carnaúba. O número corresponde à metade da quantidade que realizava o trabalho há 30 anos.

Entre os motivos para a redução está o desinteresse das novas gerações em seguir uma tradição familiar que rende pouco dinheiro e exige muito esforço, como a exposição a temperaturas cada vez mais altas.

O sítio ‘Sossego dos Rocha’, é o refúgio do patriarca de uma das mais antigas famílias de extrativistas da palha da Carnaúba na região. O aposentado Fábio Rocha tem 93 anos, enfrenta um câncer de pele no rosto e escuta com dificuldade.

Apesar disso, a memória ativa carrega lembranças de um tempo difícil, quando a retirada da palha da carnaúba para produção de cera era feita manualmente.

“Tirava, riscava, batia, botava no sol, secava, batia e tirava o pó. A cera a gente derretia”, lembrou Fábio.

A produção e a venda da cera permitiram o sustento da família, que conta com cinco filhos, que também aprenderam o ofício, mescmo com o incentivo ao estudo.

Foto: TV Clube

Genival da Rocha, 61 anos, escolheu seguir os passos do pai para dar continuidade ao legado. Agora, ele teme que as novas gerações não deem continuidade ao trabalho realizado pelos antepassados.

“Eu tirei muita [palha] mais meu filho. As meninas também ajudaram, porque são três mulheres e um homem, e minha mulher riscava de 500 a 600 palhas. Tem os netos da gente, que parece que não vão [seguir] neste rumo, os velhos não aguentam amis”, disse o extrativista.

O neto de Fábio Rocha, Genilson Visgueira, optou por empreender no ramo. Ele concluiu o ensino médio e paga auxiliares para ajudar no serviço. Além disso, faz todo o transporte em uma caminhonete.

Foto: TV Clube

A modernização, no entanto, não incentiva a entrada de novas pessoas na profissão. O extrativista reconhece os obstáculos que desestimulam os jovens, sobretudo pelos fatores climáticos.

“Está com dois anos que o calor está sempre aumentando. Hoje são poucos que estão trabalhando nesse ramo de palha. A geração mais nova não quer mais saber do extrativismo da palha. Nós mesmo é que ainda estamos de pé fazendo o extrativismo. Eu creio que daqui a mais uma temporada vai acabar se acabando”, frisou.


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