4 de fevereiro de 2026

MPPI orienta clientes do Will Bank após liquidação; veja como proceder

O objetivo é padronizar o atendimento e prevenir que cidadãos sejam vítimas de desinformação ou golpes financeiros.

Compartilhe:

Cartão do banco Will (Foto: Reprodução)

O Ministério Público do Piauí (MPPI), por meio do Procon MPPI, divulgou orientações oficiais para os consumidores afetados pela liquidação extrajudicial do Will Bank, com o objetivo de padronizar o atendimento e prevenir que cidadãos sejam vítimas de desinformação ou golpes financeiros.

A liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026, interrompe as atividades da instituição devido à insolvência e inviabilidade operacional.

A principal orientação para quem possui valores em conta ou investimentos é buscar informações exclusivamente no site oficial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é o órgão responsável pelo cadastro, verificação do direito ao ressarcimento, definição de valores e forma de pagamento.

Este órgão é o único responsável pelo cadastro e pela verificação de valores devidos e formas de pagamento. O MPPI alerta que não existe cobrança de taxas para a liberação de restituições e qualquer solicitação de pagamento para esse fim deve ser tratada como tentativa de fraude.

  • O ressarcimento pelo FGC é limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
  • Não existe cobrança de qualquer taxa ou valor para receber a restituição.
  • Qualquer solicitação de pagamento para liberar o dinheiro deve ser tratada como tentativa de golpe.

Pagamento de faturas e empréstimos

Consumidores que possuem contratos ativos, como empréstimos ou faturas de cartão de crédito, devem continuar efetuando os pagamentos normalmente. O descumprimento dessas obrigações pode gerar encargos e problemas futuros para o cliente, uma vez que os contratos permanecem vigentes conforme o disposto no ato da contratação.

Reclamações e conta salário

O MPPI esclarece que, em situações de liquidação extrajudicial, não é possível registrar reclamações diretamente no Procon. O procedimento adequado exige que o consumidor tome a iniciativa diretamente no site ou aplicativo do FGC para fins de cadastro e acompanhamento.

Para quem possui conta salário vinculada ao banco:

  • O cliente deve procurar o setor de Recursos Humanos (RH) da empresa empregadora.
  • A orientação é solicitar o redirecionamento dos pagamentos futuros para uma nova conta em outra instituição financeira.

Alerta contra fraudes

Com o aumento das manifestações sobre o caso, o Ministério Público reforça o alerta para tentativas de fraudes virtuais. Consumidores devem ter cautela com:

  • Mensagens recebidas por redes sociais, aplicativos de mensagens ou ligações.
  • Links suspeitos que prometem agilizar o recebimento de valores.
  • A orientação oficial é acessar apenas páginas reconhecidas e verificadas para evitar o vazamento de dados pessoais.

Liquidação

Segundo o Banco Central (BC), após a liquidação do Master, o Will Bank passou a operar sob um regime especial de administração temporária. Nesse período, o BC assumiu o controle da instituição com o objetivo de preservar a operação, evitar impactos imediatos aos clientes e tentar uma solução que permitisse sua continuidade, como a venda para um novo investidor.

Em nota, o Banco Central informou que tentou “uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira”. O texto, no entanto, não esclareceu se o BC tentou botar à venda o banco digital, braço do Grupo Master que atendia a consumidores de menor renda, principalmente da região Nordeste.

Paralelamente, a situação financeira da instituição se deteriorou, com aumento dos passivos e dificuldades operacionais. O fator decisivo para a liquidação foi o descumprimento de compromissos no arranjo de pagamentos da Mastercard. A falha levou ao bloqueio da participação do Will Bank no sistema da bandeira e à suspensão do uso dos cartões, caracterizando, na avaliação do Banco Central, a insolvência da instituição.

Em comunicado oficial, o BC afirmou que a liquidação se tornou inevitável diante do comprometimento da situação econômico-financeira do Will Bank, de sua incapacidade de honrar obrigações e do vínculo direto com o Banco Master, já em liquidação.

O que é liquidação extrajudicial?

A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo usado para encerrar, de forma organizada, as atividades de instituições financeiras que enfrentam grave crise. Quando anunciada, a medida costuma gerar apreensão entre clientes, principalmente sobre o destino de contas, investimentos e contratos em andamento.

O regime é aplicado quando a situação financeira da instituição se torna insustentável. Segundo o Banco Central, o objetivo principal é proteger depositantes, credores e o próprio sistema financeiro, evitando prejuízos maiores ou uma falência desordenada.

O que acontece com o banco?

Após a liquidação, as operações da instituição são interrompidas. Contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de funcionar. Um liquidante é nomeado pelo Banco Central para levantar bens, dívidas e créditos, vender ativos e organizar o pagamento dos credores conforme a ordem prevista em lei.

E o cliente, como fica?

Quem tinha conta no banco perde o acesso imediato aos serviços. O saldo existente passa a integrar o passivo da instituição, e o correntista se torna credor no processo de liquidação. O pagamento dependerá das garantias disponíveis e do andamento do trabalho do liquidante.

Dinheiro e investimentos estão protegidos?

Depósitos e alguns investimentos contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), formado por recursos das instituições financeiras, públicas e privadas. O fundo assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, considerando o conjunto de produtos elegíveis, como conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA.

No caso de CDBs, a proteção também segue esse limite. Em conglomerados financeiros, porém, o valor garantido pode variar conforme a data de emissão dos títulos e a forma como as instituições são enquadradas pelo FGC, o que pode reduzir o montante efetivamente coberto.

O FGC está pagando R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores do Banco Master. A previsão inicial estava entre R$ 41 bilhões a R$ 43 bilhões a 1,6 milhão de clientes. Com a liquidação do Master, o passivo subiu em R$ 6,3 bilhões, segundo o próprio FGC, totalizando o impacto final em R$ 46,9 bilhões. Isso equivale a mais de um terço do patrimônio do fundo.

Dívidas continuam valendo?

A liquidação extrajudicial não elimina débitos dos clientes. Empréstimos, financiamentos e faturas seguem válidos. O que muda é a administração desses contratos, que passa a ser feita pelo liquidante ou por outra instituição que eventualmente assuma parte das operações.

Como o cliente deve agir?

Quem tem conta ou investimentos em instituições liquidadas deve reunir extratos, contratos e comprovantes e acompanhar apenas comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do Fundo Garantidor de Créditos. O FGC não cobra taxas para efetuar pagamentos e alerta para tentativas de golpe em períodos de instabilidade bancária.

Liquidação não é falência

Apesar de semelhantes, os processos não são iguais. A liquidação extrajudicial é a etapa inicial aplicada a instituições financeiras e ocorre sob supervisão administrativa. A falência só pode ser decretada posteriormente, caso os ativos sejam insuficientes ou sejam identificados indícios de irregularidades mais graves.


📲 Siga o Portal ClubeNews no Instagram e no Facebook.

Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui! 

Leia também: