
Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (04) contra criminosos que se passavam por advogados e servidores da Justiça prendeu 14 pessoas nos estados do Piauí, Ceará, Goiás, Amazonas e Pernambuco. A Polícia Civil estima que pelo menos 120 advogados foram afetados com a atuação dos criminosos, que usavam a identidade deles para aplicar os golpes. A estimativa é que os golpes tenham causado prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil, com pelo menos 50 vítimas.

O delegado geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, conta que os criminosos tinham acesso aos processos no sistema dos Tribunais de Justiça, através do Processo Judicial eletrônico (PJe), que é de domínio público. Eles conseguiam as petições iniciais e despachos, se passando pelo advogado responsável pela ação.
“Eles pesquisam a foto do advogado, botava no WhatsApp e contava ao cliente que a ação foi julgada procedente. Por exemplo, R$ 50 mil para receber e eles pediam R$10 mil para as custas do processo, que era transferida para a conta de um laranja. Quando ela não recebia a vítima ia falar com o advogado verdadeiro, que não sabia de nada”, explica.
Keiko explica que a maior parte do grupo estava no Ceará, na região metropolitana de Fortaleza, mas que eles atuavam em outros estados. Cinco lideranças do grupo criminoso foram presas, além de laranjas, que recebiam o dinheiro das vítimas.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), os suspeitos criavam perfis falsos de advogados para entrar em contato com as vítimas e informar sobre a suposta liberação de alvarás judiciais. Em seguida, exigiam o pagamento de taxas judiciais inexistentes, geralmente por meio de transferências via PIX.
“Advogados e tribunais não solicitam pagamentos imediatos via PIX para liberação de valores judiciais. Na dúvida, entre em contato direto com o escritório por um número oficial já conhecido”, alertou o delegado da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), Humberto Mácola.
Mácola também destacou que os alvos da operação não são advogados e nem servidores de algum Tribunal de Justiça. As informações, segundo o delegado, não teriam sido repassadas por servidores públicos.
Ele também contou que o núcleo criminoso é atuante em Fortaleza (CE), onde já foram deflagradas seis operações para coibir esse tipo de crime. O delegado afirma que haverá mais operações para apurar os crimes de pessoas que se passam por advogado.
Ao todo, a polícia busca prender 31 pessoas envolvidas no esquema e cumprir 31 mandados de busca e apreensão nas cidades de Fortaleza, Maracanaú, Tauá, Pacatuba, Caucaia e Aracoiaba, no Ceará; Aparecida de Goiânia, em Goiás; Manaus e Borba, no Amazonas; e Recife e Paulista, em Pernambuco.
Conforme a SSP-PI, o grupo utilizava técnicas de engenharia social e acessava indevidamente dados processuais sigilosos para enganar vítimas que tinham ações judiciais em andamento.
O que diz a OAB
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), informou que a operação deflagrada pela Polícia Civil do Piauí também é resultado de uma construção institucional iniciada em 2025, a partir de termo de cooperação firmado entre a entidade e a Secretaria de Segurança Pública do Estado.
“O trabalho conjunto estabelecido entre as instituições permitiu integrar as denúncias recebidas pela advocacia aos mecanismos de investigação das forças de segurança, fortalecendo o fluxo de informações e contribuindo para o enfrentamento mais efetivo desse tipo de crime”, destacou a entidade.
Veja também:
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!