
O consumo excessivo de açúcares livres na infância constitui uma preocupação crescente em saúde pública, estando associado a repercussões metabólicas, comportamentais e alimentares a curto e longo prazo.
Recomendações oficiais
A Organização Mundial da Saúde recomenda que o consumo de açúcares livres seja inferior a 10% do valor energético total diário, com benefício adicional quando reduzido para abaixo de 5%¹.
Para crianças menores de 2 anos, não há recomendação para oferta de açúcar adicionado, sendo orientada sua exclusão². Define-se como açúcares livres aqueles adicionados aos alimentos e bebidas, além dos naturalmente presentes em mel, xaropes e sucos de frutas¹.
Impactos metabólicos
O consumo frequente de açúcar promove:
- Picos glicêmicos e hiperinsulinemia
- Maior risco de resistência à insulina
- Aumento do risco de sobrepeso e obesidade infantil³
- Alterações na composição da microbiota intestinal⁴
A exposição precoce a dietas hiperglicídicas pode modular preferências alimentares futuras, favorecendo maior palatabilidade por alimentos ultraprocessados⁵.
Repercussões comportamentais
Embora o açúcar isoladamente não seja causa direta de transtornos comportamentais, seu consumo excessivo pode estar associado a:
- Oscilações de energia
- Redução transitória da atenção
- Maior irritabilidade após queda glicêmica
Além disso, padrões alimentares ricos em açúcar podem contribuir para disbiose intestinal, condição relacionada a alterações neurocomportamentais⁴.
Formação do paladar e programação alimentar
Os primeiros anos de vida são determinantes para a construção do paladar. A exposição repetida a sabores intensamente doces reduz a aceitação de alimentos in natura, especialmente vegetais⁵.
- A educação alimentar deve priorizar:
- Exposição repetida a alimentos naturais
- Ambiente alimentar estruturado
- Evitar o uso de doces como recompensa
- Modelagem parental positiva
Considerações finais
A prevenção do consumo excessivo de açúcar na infância não se baseia em proibição absoluta, mas na construção de hábitos alimentares sustentáveis. A orientação profissional e a participação ativa da família são fundamentais para promover saúde metabólica e formação adequada do paladar.
Referências:
1. World Health Organization. Guideline: Sugars intake for adults and children. Geneva: WHO; 2015.
2. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Brasília: MS; 2019.
3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. Manual de Alimentação na Infância e Adolescência. São Paulo: SBP; 2018.
4. Johnson RJ, Sánchez-Lozada LG, Andrews P, Lanaspa MA. Perspective: A historical and scientific perspective of sugar and its relation with obesity and diabetes. Adv Nutr. 2017;8(3):412–422.
5. Birch LL, Ventura AK. Preventing childhood obesity: what works? Int J Obes (Lond). 2009;33 Suppl 1:S74–S81.
Camila Maria Silva Leite.
Nutricionista e Terapeuta Alimentar
CRN-11/15471
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