Um procedimento foi instaurado no Ministério Público do Piauí (MP-PI) para apurar denúncias de assédio moral em delegacias da Polícia Civil de Picos, no Centro-Sul do Piauí. A ação também busca acompanhar as relações hierárquicas dentro da corporação.
O caso ganhou repercussão após o delegado Rodrigo Morais, que também é diretor do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de Carreira do Estado do Piauí (Sindelpopi), tornar públicos supostos episódios de coação.
Entre as reclamações estão jornadas de trabalho consideradas exaustivas, que teriam provocado o afastamento de integrantes da corporação no município. Por meio das redes sociais, o delegado relatou ter registrado um boletim de ocorrência após interpretar uma fala como ameaça de morte.
“Eu registrei um boletim de ocorrência relacionado ao que interpretei como uma ameaça. Foi a minha interpretação do que teria sido dito. A autoridade policial, minha ex-chefe imediata, teria afirmado a outra autoridade policial que seria capaz de matar alguém e depois tirar a própria vida”, afirmou.
À TV Clube, Rodrigo Morais afirmou, nesta terça-feira (2), que o boletim de ocorrência foi registrado para investigar as denúncias, que, segundo ele, envolvem delegados e oficiais-investigadores.

“Nós estamos denunciando essa particularidade, essa singularidade dentro da imensidão da Polícia Civil. Nós reconhecemos todos os avanços da atual gestão, mas estamos gritando, pedindo socorro aos nossos gestores superiores para que olhem especialmente para Picos”, disse.
Morais destacou ainda que o excesso de plantões estaria prejudicando a saúde psicológica dos profissionais, com casos de Síndrome de Burnout e licenças psiquiátricas, o que também gera despesas ao Estado.
“Meu último procedimento foi às 4h30 da manhã, como é que às 8h da manhã eu vou estar na delegacia dando expediente diário? É incompatível com a natureza humana, com a dignidade humana você ser escalada seis, sete, oito plantões e acumular com o expediente diário”, afirmou.
O MP-PI informou à TV Clube que o procedimento tramita em sigilo e está em fase inicial. Por isso, o órgão não deve se pronunciar neste momento.
Outro lado
A equipe de reportagem procurou a chefe da Delegacia Seccional de Picos, delegada Francineide Fontes, para comentar o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamentos.
A delegada havia se manifestado anteriormente nas redes sociais em uma publicação que foi apagada. O Portal ClubeNews teve acesso ao conteúdo.
Na publicação, Francineide afirmou que assumiu a delegacia em janeiro de 2024 e que uma das medidas adotadas foi exigir o cumprimento da carga horária de todos os servidores, o que, segundo ela, teria gerado insatisfação.
Ainda na nota, a delegada destacou que considera a disciplina e o comprometimento essenciais para a qualidade do serviço público. Sobre as questões de saúde mencionadas na denúncia, afirmou que elas já existiam antes de sua gestão e que sempre foram tratadas com respeito, cuidado e observância dos protocolos institucionais.
Francineide também classificou como inadequadas as publicações feitas pelo delegado Rodrigo Morais nas redes sociais. Segundo ela, esse tipo de postura prejudica a imagem da instituição e desrespeita o trabalho realizado pelos profissionais da Seccional de Picos.
O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Lucy Keiko, também foi procurado, mas não havia se manifestado até a última atualização desta matéria.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral da instituição para apuração e adoção das medidas cabíveis.
Confira a nota da Polícia Civil do Piauí:
A Delegacia-Geral informa que já determinou à Corregedoria de Polícia Civil, que realize apuração imediata de todas as condutas, em toda extensão, que caracterizem infrações disciplinares no âmbito da Seccional de Picos, de forma a preservar servidores, policiais e o bom andamento dos trabalhos de polícia judiciária, na forma do seu estatuto.
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