2 de junho de 2026

Pesquisa identifica 115 espécies de aves em Teresina e aponta importância das áreas verdes

O trabalho é assinado pelos pesquisadores Cláudia Renata Madella-Auricchio, Mateus Vieira Silva e pelo professor do Departamento de Biologia da UFPI, Paulo Auricchio.

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Gavião-carrapateiro Milvago chimachima. (Foto: Cláudia Renata Madella-Auricchio)

Uma pesquisa inédita desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) identificou a ocorrência de 115 espécies de aves em Teresina. Até então, não havia estudos que revelassem quantas espécies habitam a capital piauiense, como estão distribuídas pelos diferentes ambientes urbanos e quais fatores contribuem para sua conservação.

O trabalho é assinado pelos pesquisadores Cláudia Renata Madella-Auricchio, Mateus Vieira Silva e pelo professor do Departamento de Biologia da UFPI, Paulo Auricchio.

No final da matéria é possível conferir o artigo completo!

Ao todo, foram registrados 12.505 indivíduos de aves, distribuídos em 115 espécies, 42 famílias e 100 gêneros. A pesquisa analisou dez pontos da área urbana de Teresina, incluindo trechos do Centro, parques urbanos e regiões semiurbanizadas. As observações foram realizadas mensalmente entre março e outubro de 2018.

Os resultados apontam que a maior diversidade de aves está concentrada nas áreas verdes da cidade, como o Parque da Cidade e o Bioparque Zoobotânico, além das regiões próximas aos rios Parnaíba e Poty. Segundo os autores, esses ambientes desempenham papel fundamental para a manutenção da biodiversidade local.

Entre os pontos analisados, o Bioparque Zoobotânico apresentou a maior riqueza de aves, com 105 espécies, o equivalente a 91,3% do total registrado no levantamento. Já a Avenida Frei Serafim teve o menor número, com 29 espécies.

“Os dados demonstram que as áreas verdes fornecem alimento, abrigo e locais de reprodução para espécies nativas mais sensíveis ao processo de urbanização. Aves como o marreco, a garça-branca, o socózinho e o gavião-caramujeiro dependem diretamente dos corpos d’água e das áreas associadas aos rios Poty e Parnaíba. Já espécies como o gavião-pega-macaco e o capitão-de-saíra-amarelo necessitam de áreas com árvores de grande porte, como as encontradas no Bioparque Zoobotânico”, explicam os pesquisadores.

O estudo também registrou pela primeira vez no Piauí as espécies Spizaetus tyrannus e Attila spadiceus. Além disso, foram observadas espécies migratórias, como Pandion haliaetus e Falco peregrinus.

As espécies mais abundantes foram aquelas mais associadas a áreas urbanizadas, como a rolinha-fogo-apagou, a andorinha-doméstica-grande, o urubu-de-cabeça-preta e o pardal. Para os pesquisadores, esse resultado mostra como algumas aves conseguem se adaptar melhor aos ambientes modificados pela urbanização.

Apesar do número expressivo de espécies registradas, os autores consideram que a riqueza de aves em Teresina ainda é reduzida quando comparada à encontrada em áreas naturais mais preservadas do estado, como o Parque Nacional de Sete Cidades e o Parque Nacional da Serra da Capivara.

De acordo com os pesquisadores, o avanço acelerado da urbanização está entre os principais fatores associados à redução da diversidade de aves no município. A expansão de áreas construídas, o asfaltamento, a poluição, o acúmulo de resíduos sólidos e a poluição sonora podem comprometer a permanência de espécies que antes ocupavam esses ambientes.

Os pesquisadores também destacam a necessidade de ampliar o plantio de espécies vegetais nativas na arborização urbana e reduzir o uso de espécies exóticas. O artigo cita um levantamento segundo o qual 47,8% das plantas usadas na arborização de Teresina são exóticas. Segundo os autores, a vegetação local exerce papel estratégico na sobrevivência de diversas aves.

“Um exemplo é o buriti (Mauritia flexuosa), uma palmeira essencial para a nidificação do andorinhão-do-buriti (Tachornis squamata), espécie que mantém uma relação ecológica estreita com essa planta”, acrescentam.

As análises indicaram ainda que a vegetação é o elemento mais relevante para a utilização do habitat pelas aves, servindo como fonte de alimento, área de forrageamento e substrato para a construção de ninhos. Por isso, os pesquisadores defendem a adoção de políticas voltadas à preservação e ampliação das áreas verdes urbanas.

O estudo também destaca a observação de aves como uma importante ferramenta de conservação. Segundo os autores, a atividade contribui para aproximar a população da natureza, ampliar o conhecimento científico e fortalecer a conscientização ambiental.

“A observação de aves sensibiliza as pessoas para a importância da biodiversidade urbana e pode mobilizar a sociedade em ações voltadas à proteção das espécies, evitando seu declínio ou desaparecimento em Teresina”, ressaltam.

Como estratégia de conservação, os pesquisadores recomendam a manutenção dos parques urbanos já existentes, a criação de novas áreas verdes e o uso de árvores nativas na arborização da cidade.

“Como estratégia de conservação, sugerimos que seja priorizada a manutenção dos parques urbanos e o uso de árvores nativas na arborização da cidade, a fim de prevenir o declínio das espécies de aves em Teresina”, concluem os autores do estudo.


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