
Pacientes com limitações motoras atendidos no Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) estão recuperando autonomia em atividades do dia a dia graças a um projeto que utiliza impressão 3D com plástico reciclado. A iniciativa já beneficiou 83 pessoas com a entrega gratuita de órteses personalizadas.
A ação é resultado de uma parceria entre o hospital e o curso de Engenharia de Materiais da UFPI, que desenvolve dispositivos sob medida a partir de resíduos plásticos da própria universidade. As órteses auxiliam em tarefas simples, como escrever, escovar os dentes e usar o celular, contribuindo diretamente para a independência dos pacientes.
O projeto, vinculado a uma pesquisa de iniciação científica, atende principalmente pessoas com sequelas neurológicas, lesões nervosas, doenças degenerativas e outras limitações funcionais.
Antes da parceria, os dispositivos eram produzidos artesanalmente pelos profissionais de saúde. Com a introdução da modelagem digital e da manufatura aditiva — conhecida como impressão 3D —, o processo se tornou mais rápido, preciso e adaptado à necessidade de cada paciente.
Segundo o chefe da Unidade Multiprofissional do HU-UFPI, José Felipe Pinheiro do Nascimento Vieira, o principal objetivo é devolver a autonomia aos pacientes. “Buscamos ajudar nas funções básicas do dia a dia, promovendo mais independência”, destacou.
A professora Renata Barbosa, do curso de Engenharia de Materiais, explica que a tecnologia oferece vantagens como maior conforto, melhor adaptação e redução no tempo de produção. “Isso aumenta a adesão do paciente ao uso da órtese e melhora os resultados”, afirmou.
Entre os beneficiados está Antônio Marcos Andrade Barbosa, de 38 anos, que ficou tetraplégico após um acidente de moto em 2023. Com o uso da órtese, ele conseguiu retomar atividades simples, como utilizar o celular.
“Ele não mexe os dedos, mas com a órtese já consegue fazer várias coisas sozinho”, relatou a esposa, Milena Silva.
As órteses são oferecidas exclusivamente a pacientes em acompanhamento no hospital e representam uma alternativa acessível e inovadora no tratamento de pessoas com limitações físicas, aliando sustentabilidade, tecnologia e inclusão.
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