2 de julho de 2026

Quebradeira de coco segue legado da família e aposta no doce de fava para aumentar a renda no Piauí

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A quebradeira de coco Maria José de Oliveira Lima, conhecida como ‘Maria Lageiro’, encontrou no doce de fava uma alternativa para complementar a renda da família. Moradora de Tanque do Piauí, a cerca de 220 km de Teresina (PI), ela transformou uma receita inusitada em oportunidade de negócio, valorizando ingredientes típicos da região.

O interesse pela produção surgiu ainda cedo. Maria contou que aprendeu a fazer o doce observando a avó, que trabalhava com a venda de bolos e outros produtos em feiras. A receita leva massa de fava, leite de coco, açúcar, cravo e canela, combinação que tem conquistado consumidores em diferentes municípios do estado.

Maria Lageiro (foto: Vitória Luna)

Durante participação em uma feira da agricultura familiar realizada na capital, a trabalhadora rural afirmou ao Portal ClubeNews que mantém viva uma tradição passada entre gerações. Segundo ela, a aceitação do público tem sido positiva, tanto para o doce quanto para outros pratos preparados com a leguminosa, considerada substituta do feijão em algumas regiões.

“Tem sido muito aceito, tanto o doce como a fava com creme de leite, que o pessoal faz também, a fava tropeira, no restaurante da minha prima. Na nossa região, o feijão de lá é a fava. Ela é bem vendida, porque o preço é melhor que o do feijão”, disse.

A principal inspiração de Maria Lageiro foi a avó, Dona Januária, que faleceu aos 107 anos. A dedicação da matriarca à produção e comercialização de bolos, aliada ao trabalho do marido na roça, serviu de exemplo para a família e incentivou as novas gerações a buscar sustento por meio da agricultura e do empreendedorismo rural.

“Sou neta da ‘Dona Januária’, que viveu 107 anos, teve 19 gravidezes e 20 filhos, trabalhando, fazendo bolo, e o marido trabalhando na roça, porque era trabalhador rural. Aqui, em Teresina, meus produtos já vieram várias vezes, já fui para Floriano e já participei de outras feiras, na época que a gente produzia cajuína, pela associação de moradores”, relatou.

Além da produção do doce, Maria integra um grupo de mulheres que atua na extração do coco babaçu. Sem possuir terras próprias para cultivo, elas desenvolvem a atividade em propriedades de terceiros, em um sistema de parceria que permite a produção de óleo e outros derivados, garantindo renda para dezenas de famílias.

Feira de agricultura familiar em Teresina (foto: Vitória Luna)

Atualmente, mais de 20 mulheres participam da iniciativa, que fortalece a autonomia financeira das trabalhadoras e mantém viva uma atividade tradicional da região.

“Nós somos mais de 20 mulheres quebrando coco na nossa região. Nós não temos área de terra, mas nós trabalhamos com o coco dos outros fazendo óleo e dividindo com eles. A gente quebra o coco e divide com os donos das propriedades”, finalizou.


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