
A técnica de enfermagem com suspeita de envolvimento em uma tentativa de sequestro de uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa foi afastada temporariamente do cargo. A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente investiga o caso.
O afastamento foi confirmado por meio de nota emitida à imprensa nesta terça-feira (7), um dia após o caso. A direção da maternidade também afirmou o registro de um boletim de ocorrência foi registrado e que colabora com as autoridades policiais.
De acordo com a instituição, o resultado do processo investigativo vai subsidiar a adoção de medidas administrativas e legais cabíveis, reforçando o compromisso com a responsabilização e a transparência.
“Como medida administrativa, a profissional supostamente envolvida foi afastada de suas funções até a conclusão das investigações, cujos resultados subsidiarão a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis, diz trecho da nova nota. Leia na íntegra ao final.
A unidade também destacou que a mãe, o bebê e a acompanhante receberam suporte completo, com assistência da equipe médica e acolhimento multiprofissional, por meio do Serviço Social e da Psicologia.
DENÚNCIA
Segundo a família da recém-nascida, uma mulher se apresentou como enfermeira da unidade e teria colocado a bebê dentro de uma bolsa.
Ainda segundo a família, a ação não foi concluída porque uma tia da criança, que acompanhava a mãe no momento, desconfiou da situação e conseguiu localizar a criança. A família registrou um boletim de ocorrência no mesmo dia e cobra investigação sobre o episódio.
Em vídeo enviado à Rede Clube, Daniela Beatriz, tia da bebê, relatou que a mãe da criança deu à luz no sábado (4) e recebeu alta hospitalar na segunda-feira (6). A recém-nascida permaneceu internada para a realização dos testes da orelhinha e do pezinho, com previsão de alta nesta terça-feira (7).
Segundo Daniela, uma mulher vestida com roupas semelhantes às utilizadas por profissionais da maternidade se aproximou da família, conversou por bastante tempo e afirmou que tentaria agilizar os exames da criança.
Desconfiada, Daniela decidiu acompanhar os passos da suposta profissional. Segundo o relato, ela percebeu quando a mulher entrou em um banheiro e começou a trocar de roupa.
Ao sair do banheiro, a mulher já estaria com outra aparência. “Ela trocou de roupa, soltou o cabelo e colocou óculos. Quando olhei para a bolsa, o zíper estava semiaberto e eu vi a neném dentro”, afirmou.
NOTA MATERDNIDADE EVANGELINA ROSA
A Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa (NMDER) informa que registrou Boletim de Ocorrência na data do ocorrido e está colaborando integralmente com as autoridades policiais, fornecendo todas as informações solicitadas, incluindo imagens do circuito interno de monitoramento.
A instituição esclarece que a mãe, o bebê e a acompanhante receberam todo o suporte da gestão da unidade, além de acolhimento e assistência pela equipe médica e acompanhamento multiprofissional através das equipes do Serviço Social e da Psicologia.
Como medida administrativa, a profissional supostamente envolvida foi afastada de suas funções até a conclusão das investigações, cujos resultados subsidiarão a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis.
A NMDER reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança dos pacientes e a apuração rigorosa dos fatos. Em respeito ao andamento das investigações, não divulgará outras informações neste momento.
CONFIRA O POSICIONA DA DEFESA
A defesa técnica de Auricélia de Sousa Rocha, representada pelo advogado Tiago Carvalho Moreira (OAB/PI nº 16.503 | OAB/MA nº 24.219-A), vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:
Desde o início, a defesa manifesta profundo respeito à família da recém-nascida, aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ao trabalho desenvolvido pelas autoridades responsáveis pela investigação dos fatos.
Entretanto, é imprescindível destacar que o caso possui um aspecto de extrema relevância que não pode ser ignorado: a condição de saúde mental da investigada.
Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Estado do Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado.
Além disso, a defesa juntou aos autos documentos que demonstram que ela fazia uso de medicação de natureza psiquiátrica, circunstância que será devidamente submetida à apreciação do Poder Judiciário.
No atual estado clínico, conforme constatado pela defesa e pelos familiares, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade vivenciada, demonstrando dificuldade para compreender a gravidade dos fatos investigados e até mesmo a própria situação processual em que se encontra. Essa percepção é compatível com a necessidade de avaliação especializada já documentada, mas a repercussão jurídica desse quadro deverá ser apurada pelos meios periciais previstos na legislação, não cabendo à defesa antecipar conclusões sobre sua imputabilidade penal.
A defesa informa que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrará Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada também à luz dos documentos médicos supervenientes já apresentados ao Juízo.
É importante ressaltar que essa iniciativa não busca minimizar a gravidade dos fatos investigados, tampouco desrespeitar o sofrimento da família envolvida. O objetivo é assegurar que o processo penal observe integralmente a Constituição Federal, o devido processo legal e os direitos fundamentais da investigada, inclusive o direito de receber tratamento médico adequado quando há elementos clínicos relevantes.
A defesa reafirma sua confiança nas instituições, no Ministério Público e no Poder Judiciário, acreditando que todas as decisões serão tomadas com base nas provas constantes dos autos, na legislação vigente e nos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.
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