O dono da DF Trader, empresa investigada por supostos golpes financeiros, costumava publicar fotos e vídeos em aeronaves para ostentar nas redes sociais. Segundo a Polícia Civil do Piauí, o esquema movimentou cerca de R$ 100 milhões em dois anos.
De acordo com as investigações, os registros publicados nas redes eram considerados uma “ostentação fabricada”, usada para transmitir credibilidade a possíveis investidores.
Nesta sexta-feira (10), uma operação realizada em Teresina prendeu 10 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema, incluindo o proprietário da empresa, Douglas Fonseca. Outras duas pessoas seguem foragidas.
A empresa é investigada por prometer altos rendimentos a investidores. De acordo com a polícia, as movimentações financeiras chamaram atenção durante as apurações e levaram à deflagração da operação.
Além das prisões, mais de 10 carros foram apreendidos, bem como relógios de luxos. Conforme a investigação, o grupo prometia altos rendimentos financeiros a investidores, que não recebiam a devolução do dinheiro.
De acordo com as investigações a empresa não tinha autorização para operar e os ganhos prometidos no mercado de capitais chegavam a 10% do valor investido mensalmente. Ainda segundo a polícia, para convencer o público-alvo a injetar dinheiro, o grupo divulgava que atuava há sete anos no ramo, mas os registros datam de dois anos.

“O modelo que eles utilizavam de arrecadação de valores das vítimas dava a entender […] que a aplicação diretamente, que o Grupo DF era um grupo financeiro, um grupo de aplicação, quando, na verdade, não era. Era uma empresa apenas para atrair as pessoas, não tinha validação junto à Comissão de Valores Mobiliários”, explicou o delegado Roni Silva.
De acordo com a Superintendência de Operações Integradas (SOI), as investigações apontam que o grupo criminoso atuava de forma estruturada. Os membros teriam utilizado fraudes eletrônicas para obtenção de vantagens ilícitas e mecanismos destinados à ocultação. Também teria ocorrido dissimulação dos valores obtidos com a prática criminosa.
Mais de 70 vítimas
O delegado Roni Silva destacou que somente em Teresina o número é de aproximadamente 70 vítimas. A expectativa da polícia é que o quantitativo aumente com a repercussão do caso.
“O número de vítimas nós ainda estamos mensurando. Nós acreditamos que o número ainda vai aumentar, e muito, a partir de agora, que as pessoas já estão sabendo das prisões. Poderia tratar facilmente, em Teresina, umas 70 vítimas”, afirmou.
Todos os presos serão submetidos à audiência de custódia neste sábado (11), quando o juiz de plantão decidirá pela manutenção da prisões ou pela soltura.
No Instagram, Douglas acumulava cerca de 360 mil seguidores até a publicação desta reportagem, Douglas ostentava uma rotina de alto padrão. Em suas postagens, compartilhava viagens para destinos como Nova York, nos Estados Unidos, e Gizé, no Egito, além de exibir veículos de luxo e acessórios de alto valor.
As vítimas denunciaram à polícia que a empresa deixou de repassar os valores prometidos pouco tempo depois. A defesa deles afirmou à TV Clube em junho deste ano que os investidores tentaram retirar os valores aplicados, mas não tiveram sucesso. Outro problema relatado foi a dificuldade em obter respostas da empresa.
Outro lado
À época, o proprietário da empresa, Douglas Fonseca, negou as acusações de irregularidade em entrevista à emissora. Ele afirmou também que nunca prometeu lucro fixo de 10% ao mês, como relatado por alguns investidores.
Por outro lado, Douglas admitiu que cerca de 26% dos valores aplicados ainda não haviam sido devolvidos. O processo, segundo ele, estaria ocorrendo de maneira gradual.
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