
O engenheiro eletricista Heitor Santana foi preso na manhã desta quarta-feira (12), no estado de São Paulo, durante uma operação que investiga um suposto esquema de golpes envolvendo a venda e instalação de sistemas de energia solar no Piauí. A prisão preventiva foi cumprida pela Polícia Civil após investigações apontarem que mais de 30 pessoas teriam sido lesadas.
De acordo com a Polícia Civil, a medida é resultado de um inquérito conduzido pelo delegado seccional Adalberto Paulo de Castro Júnior. Além da prisão, também foi cumprido um mandado de busca domiciliar no estado paulista.
Segundo a investigação, o suspeito adotava um modus operandi semelhante em diversos contratos: recebia pagamentos de clientes para a venda e instalação de placas e sistemas de energia solar, mas os serviços não eram executados, mesmo após o recebimento dos valores.
Durante as apurações, a polícia verificou que já existiam mais de 30 boletins de ocorrência e nove inquéritos policiais registrados contra o investigado. Diante da quantidade de denúncias, a autoridade policial representou pela prisão preventiva e pelas buscas.
Ainda conforme a polícia, o próprio interrogatório do investigado apontou uma intensa movimentação financeira. Segundo o termo de qualificação e interrogatório, ele teria chegado a movimentar aproximadamente R$ 2 milhões em apenas um mês.
VÍTIMAS RELATAM PREJUÍZO
O caso veio à tona após dezenas de consumidores denunciarem a empresa HGS Engenharia e Consultoria, responsável pela comercialização e instalação dos sistemas fotovoltaicos.
De acordo com os relatos, pelo menos 39 clientes afirmam ter sido lesados, acumulando um prejuízo estimado em quase R$ 1 milhão.
As vítimas afirmam que assinavam contratos, realizavam pagamentos antecipados e recebiam a promessa de que os equipamentos seriam instalados em poucas semanas. No entanto, após o pagamento, os prazos não eram cumpridos.
Uma das vítimas relatou à TV Clube que pagou R$ 25 mil pela compra dos equipamentos e pela instalação do sistema de energia solar.
“Firmamos o contrato no final de dezembro e fizemos o pagamento de R$ 25 mil para a aquisição do material e a instalação do sistema. O prazo informado era de 15 dias, mas quando venceu, passei a procurar a empresa e só recebia justificativas”, contou.
Segundo o cliente, a empresa alegava problemas com transportadoras e atrasos na entrega dos materiais. Meses depois, ao procurar novamente o escritório, encontrou o local fechado.
“Quando chegou fevereiro, voltei novamente à empresa e encontrei o escritório fechado. Na ocasião, uma pessoa informou que a empresa havia falido”, relatou.
Em abril deste ano, a defesa do proprietário da empresa informou à TV Clube, por meio de nota, que a situação estava sendo tratada judicialmente dentro de um processo de recuperação judicial em Teresina.
Na ocasião, a empresa alegou ter sido afetada por uma crise no setor de energia solar, situação que teria comprometido o cumprimento dos contratos firmados com os clientes.
Ainda segundo a nota, a intenção era promover uma reorganização financeira para quitar os débitos existentes conforme as determinações da Justiça.
Com a prisão do engenheiro, a Polícia Civil deve aprofundar as investigações para apurar a extensão dos prejuízos e o número total de vítimas afetadas pelo suposto esquema.
O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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