17 de agosto de 2026

Tratamento da próstata pode preservar a vida sexual? Novo estudo traz boas notícias para os homens

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Foto: Magnific/Reprodução

Para muitos homens, tratar a próstata não significa apenas voltar a urinar melhor. Existe uma preocupação igualmente importante: o que acontecerá com a vida sexual depois do tratamento?

Essa é uma das principais questões que influenciam a escolha do tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB), condição extremamente comum com o envelhecimento masculino. E um novo estudo traz dados importantes para homens que desejam aliviar os sintomas urinários sem abrir mão da função sexual.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada recentemente na revista Sexual Medicine Reviews, da International Society for Sexual Medicine, avaliou especificamente o impacto do Rezum, terapia que utiliza vapor de água para tratar o tecido aumentado da próstata. Foram analisados 14 estudos, envolvendo 1.306 homens.

A principal conclusão foi que o tratamento apresentou um perfil favorável de segurança, com preservação da função erétil e ejaculatória.

Por que a próstata pode interferir na vida sexual?

A hiperplasia prostática benigna é uma das doenças mais frequentes entre homens com mais de 50 anos. A próstata aumenta progressivamente com a idade e pode comprimir a uretra, provocando sintomas como jato urinário fraco, dificuldade para iniciar a micção, aumento da frequência urinária e necessidade de levantar várias vezes durante a noite.

Homens com sintomas urinários decorrentes da HPB apresentam maior frequência de disfunção erétil. Entre os mecanismos possíveis estão alterações vasculares, do sistema nervoso autônomo e da disponibilidade de óxido nítrico, além da própria repercussão dos sintomas urinários sobre a qualidade de vida.

Além disso, alguns dos medicamentos tradicionalmente utilizados para tratar a próstata podem afetar a vida sexual do homem. Alfa-bloqueadores podem provocar alterações ejaculatórias, enquanto os inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida e dutasterida) podem estar associados a redução da libido, disfunção erétil e alterações da ejaculação.

Por isso, para determinados pacientes, simplesmente controlar os sintomas urinários não é suficiente. Preservar a função sexual também precisa fazer parte da decisão.

O que é o Rezum?

O Rezum é uma técnica minimamente invasiva para o tratamento da hiperplasia prostática benigna.

Em vez de retirar cirurgicamente uma grande quantidade de tecido prostático, o procedimento utiliza vapor de água para produzir energia térmica dentro da próstata. O calor provoca a destruição controlada do tecido prostático que contribui para a obstrução urinária.

Com o passar das semanas, o tecido tratado é reabsorvido e o canal urinário pode ficar mais desobstruído, permitindo melhora dos sintomas.

Uma das características que despertou interesse nessa técnica é justamente a possibilidade de tratar a obstrução sem causar a mesma alteração anatômica provocada por procedimentos mais tradicionais.

E a ereção?

Essa é provavelmente uma das maiores preocupações dos homens que precisam tratar a próstata.

Na pesquisa descrita, os diferentes instrumentos utilizados para avaliar a função erétil mostraram, de maneira geral, preservação da função erétil após o procedimento.

Quando foi avaliado especificamente a função erétil, houve uma queda transitória em uma coorte no primeiro mês, seguida de manutenção dos resultados ao longo de até 24 meses.

Em outras palavras: o estudo não sugere que o Rezum cause uma perda significativa e permanente da capacidade de ereção.

E a ejaculação?

Talvez essa seja a característica mais interessante do Rezum.

Procedimentos tradicionais para desobstrução da próstata, especialmente a ressecção transuretral da próstata (RTU), ou mesmo a enucleação a laser apresentam uma elevada frequência de alterações ejaculatórias, principalmente ejaculação retrógrada.

Na nova análise, entretanto, o Rezum não provocou alteração significativa da função ejaculatória medida pelo questionário específico utilizado pelos pesquisadores. Esse resultado permaneceu estável nos diferentes períodos de acompanhamento avaliados.

Esse resultado é particularmente relevante porque, para muitos homens, continuar tendo uma ejaculação normal é uma prioridade.

Por que o Rezum tende a preservar a ejaculação?

A explicação está na anatomia.

O tratamento utiliza o vapor para atuar seletivamente sobre o tecido prostático aumentado, procurando preservar estruturas importantes para a ejaculação, incluindo o colo vesical.

Já procedimentos que removem uma quantidade maior de tecido da próstata podem alterar estruturas anatômicas envolvidas no mecanismo da ejaculação.

Segundo os autores, a ejaculação anterógrada, ou seja, aquela em que o sêmen continua sendo eliminado normalmente pela uretra pode ser preservada em até 96,6% dos pacientes submetidos ao Rezum, enquanto a ejaculação retrógrada após RTU pode ocorrer em aproximadamente 80% a 95% dos casos.

Existe ainda outro fator importante: os medicamentos

Há uma questão interessante levantada pelo estudo.

Muitos homens que chegam ao tratamento cirúrgico da próstata estão usando diariamente medicamentos para controlar os sintomas urinários. Em algumas das pesquisas analisadas, a maioria dos pacientes utilizava alfa-bloqueadores, inibidores da 5-alfa-redutase ou uma combinação dos dois.

Depois do tratamento com vapor de água, muitos conseguem suspender esses medicamentos. Em um dos estudos citados, 95% dos pacientes haviam deixado de utilizar os medicamentos para HPB após um ano.

Isso é importante porque parte da melhora sexual observada depois do procedimento pode estar relacionada não apenas ao tratamento da próstata em si, mas também à retirada de medicamentos que podem prejudicar a função sexual.

Então o Rezum é melhor que a cirurgia tradicional?

O estudo não comparou diretamente, de maneira randomizada, o Rezum com todas as outras técnicas disponíveis. Trata-se principalmente de uma análise dos resultados antes e depois do Rezum.

Portanto, não é correto afirmar que a técnica seja simplesmente “melhor” para todos os homens.

A escolha do tratamento depende de diversos fatores: tamanho e anatomia da próstata, intensidade dos sintomas, presença de complicações, expectativa do paciente, necessidade de uma redução mais rápida ou mais intensa da obstrução e, principalmente, prioridades individuais relacionadas à sexualidade.

É importante deixar claro que a meta-análise descrita apresenta limitações. Os estudos utilizaram diferentes métodos de avaliação e apresentaram diferenças no uso de medicamentos e nos cuidados após o procedimento.

A hiperplasia prostática benigna faz parte do envelhecimento de muitos homens, mas isso não significa que o tratamento precise representar o fim da vida sexual.

As evidências mais recentes mostram que existem opções minimamente invasivas capazes de melhorar os sintomas urinários mantendo bons resultados relacionados à função sexual.

O Rezum surge, nesse cenário, como uma alternativa especialmente interessante para homens que precisam tratar a obstrução prostática, mas colocam a preservação da ereção e, principalmente, da ejaculação entre suas prioridades.

Ainda existem perguntas a serem respondidas, principalmente sobre os resultados em longo prazo e a comparação direta com outras técnicas. Mas a mensagem atual da ciência é positiva: tratar a próstata e preservar a vida sexual podem, em muitos casos, caminhar juntos.

Fonte científica

Khalil IA, et al. Impact of convective water vapor thermal therapy (Rezum) on male sexual function: a systematic review and meta-analysis. Sexual Medicine Reviews. 2026;14(3). Publicado em 28 de julho de 2026.


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