19 de agosto de 2026

Agosto Dourado: amamentar é nutrir, proteger e acolher

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Agosto Dourado: amamentar é nutrir, proteger e acolher. (Foto: Reprodução/Magnific)

Agosto é o mês em que o Brasil veste o dourado para lembrar uma prática que começa ainda nos primeiros momentos de vida e pode acompanhar a criança por anos: a amamentação. Mais do que um alimento, o leite materno representa proteção, vínculo, cuidado e uma importante estratégia de saúde pública. O Ministério da Saúde reconhece agosto como o Mês do Aleitamento Materno, instituído pela Lei nº 13.435/2017.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do UNICEF é que o bebê seja colocado para mamar na primeira hora de vida, quando possível, e receba aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses. Isso significa que, nesse período, não são necessários outros alimentos ou líquidos, inclusive água, salvo situações específicas orientadas por profissionais de saúde. A partir dos seis meses, entram os alimentos complementares, mantendo-se a amamentação até os dois anos ou mais.

O leite materno tem uma composição dinâmica e adequada às necessidades do bebê. Ele fornece energia e nutrientes essenciais nos primeiros meses e também contém componentes que contribuem para a proteção contra infecções. A amamentação está associada a menor ocorrência de doenças gastrointestinais e respiratórias e pode contribuir para a redução do risco de excesso de peso ao longo da infância.

Mas falar de amamentação também é falar da mulher. Amamentar pode ser uma experiência afetiva e prazerosa, mas nem sempre é simples. Dor, fissuras, ingurgitamento, dificuldades de pega, insegurança sobre a quantidade de leite e cansaço podem transformar os primeiros dias em um período desafiador. Por isso, informação e apoio fazem parte do cuidado.

Não existe uma mãe que precise enfrentar tudo sozinha. A rede de apoio — companheiro ou companheira, família, profissionais de saúde, empregadores e sociedade — tem papel fundamental para proteger a amamentação. Apoiar não significa pressionar ou cobrar. Significa ajudar nas tarefas, respeitar o tempo da mãe, oferecer escuta e facilitar o acesso a orientação qualificada quando surgirem dificuldades.

Outro ponto importante é compreender que cada história de amamentação é única. A recomendação do aleitamento materno deve caminhar junto com uma avaliação individualizada, especialmente quando existem condições clínicas da mãe ou do bebê, prematuridade, dificuldades de sucção, alterações de crescimento ou outras necessidades específicas. Nesses casos, a assistência de uma equipe de saúde é essencial.

Aos seis meses, a introdução da alimentação complementar não significa o fim da amamentação. Pelo contrário: os alimentos passam a complementar o leite materno. É uma nova etapa de descobertas, em que textura, variedade, autonomia e relação positiva com a comida começam a ganhar espaço. A alimentação deve ser adequada, segura e responsiva, respeitando os sinais de fome e saciedade da criança.

Neste Agosto Dourado, portanto, a mensagem não deve ser apenas “amamente”. Precisamos dizer também: “você não está sozinha”. Uma sociedade que realmente valoriza a amamentação cria condições para que ela seja possível. Isso envolve políticas públicas, licença e proteção à maternidade, espaços adequados, educação em saúde e profissionais preparados para acolher sem julgamentos.

Amamentar é um ato que envolve nutrição, saúde e vínculo, mas também direitos, suporte e escolhas. Celebrar o Agosto Dourado é reconhecer a importância do leite materno e, ao mesmo tempo, cuidar de quem amamenta. Porque quando uma mãe é acolhida, orientada e respeitada, o cuidado com o bebê também se fortalece.

Para guardar neste Agosto Dourado

● Aleitamento materno exclusivo é recomendado nos primeiros seis meses de vida.

● Após os seis meses, a alimentação complementar deve ser adequada e segura, mantendo-se a amamentação até dois anos ou mais.

● Dificuldades na amamentação merecem acolhimento e orientação profissional, não culpa.

● Uma rede de apoio presente é parte importante da proteção ao aleitamento.

● Amamentação e alimentação complementar são etapas que se complementam no desenvolvimento da criança.

Camila Maria Silva Leite
Nutricionista Clínica e materno infantil
Mestranda em Alimentos e Nutrição- UFPI
CRN-11/15471

Fontes

Ministério da Saúde. Calendário da Saúde — Agosto: Mês do Aleitamento Materno e Agosto Dourado. Atualizado em 13 maio 2026.

World Health Organization (WHO). Breastfeeding. Recomendações sobre início na primeira hora, aleitamento exclusivo por seis meses e continuidade até dois anos ou mais.

World Health Organization (WHO). Infant and young child feeding. Recomendações sobre amamentação e alimentação complementar.


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