Moradores da cidade de Picos (PI) estão sendo alvo de um golpe que utiliza informações públicas de processos judiciais para enganar vítimas. Segundo a Defensoria Pública do Estado do Piauí, pelo menos sete tentativas de fraude foram registradas na última semana, e em duas delas os criminosos conseguiram aplicar o golpe.
A estratégia consiste em acessar dados disponíveis em processos judiciais e entrar em contato com as partes envolvidas, fingindo ser representantes da Justiça, da Defensoria Pública, do Ministério Público ou até mesmo advogados.
De acordo com a defensora pública Ana Clara Castro, os golpistas utilizam diferentes abordagens para convencer as vítimas. Em alguns casos, afirmam que a pessoa precisa realizar um depósito para receber valores relacionados ao processo. Em outros, solicitam informações pessoais e bancárias que posteriormente são usadas para abrir contas ou contratar empréstimos em nome da vítima.
“Os criminosos recolhem dados dos processos e entram em contato se passando por representantes de instituições ligadas à Justiça. A partir disso, pedem depósitos, dados bancários ou informações pessoais, que acabam sendo utilizadas para aplicar fraudes”, explicou a defensora.
Uma das táticas mais recentes identificadas pela Defensoria envolve a simulação de audiências judiciais por meio do WhatsApp.
Segundo Ana Clara Castro, os golpistas criam um ambiente de aparente legalidade para ganhar a confiança das vítimas. Durante a falsa audiência, eles pedem que a pessoa compartilhe a tela do celular, o que permite acesso a aplicativos bancários e informações financeiras.
“Recebemos relatos de casos em que os criminosos simulam audiências judiciais pelo WhatsApp para dar credibilidade ao golpe. Depois pedem que a vítima compartilhe a tela do aparelho e, dessa forma, conseguem acessar contas bancárias ou obter dados sensíveis”, alertou.

COMO SE PROTEGER
A Defensoria Pública orienta que a população desconfie de contatos feitos por números desconhecidos, principalmente quando houver pedidos de informações pessoais, bancárias ou transferências de dinheiro.
A recomendação é confirmar qualquer informação diretamente com os canais oficiais das instituições envolvidas no processo.
“É importante desconfiar da urgência imposta pelos golpistas e verificar as informações diretamente com a Defensoria, o Fórum, o Ministério Público ou o advogado responsável pelo caso. Não forneça dados bancários e não realize pagamentos solicitados por WhatsApp”, reforçou a defensora.
A instituição também destacou que os serviços prestados pela Defensoria Pública são gratuitos e que não há cobrança de valores para o atendimento dos assistidos.
ORIENTAÇÃO PARA VÍTIMAS
Quem já foi alvo ou teve prejuízos com esse tipo de golpe deve procurar uma delegacia e registrar a ocorrência para que o caso seja investigado.
A Defensoria Pública pede ainda que situações suspeitas sejam comunicadas imediatamente às autoridades, contribuindo para identificar os responsáveis e impedir novas fraudes.
“O alerta é para que as pessoas redobrem a atenção. Caso já tenham sido vítimas, procurem uma delegacia ou a instituição responsável para formalizar a denúncia e permitir que os fatos sejam devidamente apurados”, concluiu Ana Clara Castro.
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