15 de setembro de 2026

Mulher acusada injustamente de envenenar crianças no PI recorre à Justiça por pensão e indenização

Lucélia foi detida e acusada de envenenar dois irmãos, de 7 e 8 anos, com cajus que teriam sido contaminados no ano de 2024.

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Lucélia Maria ficou presa injustamente por quase cinco meses (foto: reprodução/Rede Clube)

Lucélia Maria da Conceição Silva, de 53 anos, recorreu na Justiça contra a suspensão de uma pensão de um salário mínimo e meio que recebia do Governo do Piauí. Segundo ela, o benefício foi pago por apenas dois meses e ajudava nas despesas da casa enquanto ela tenta reconstruir a vida após o período em que ficou presa.

Lucélia foi detida e acusada de envenenar dois irmãos, de 7 e 8 anos, com cajus que teriam sido contaminados no ano de 2024. Durante a investigação, um laudo pericial descartou a presença de veneno nos cajus consumidos pelas crianças. Em outubro de 2025, ela foi absolvida pela Justiça.

No dia em que Lucélia foi presa, a casa onde ela morava, em Parnaíba, no litoral do Piauí, foi apedrejada e incendiada por moradores que, segundo relatos da época, estavam revoltados com a morte das crianças.

Casa de Lucélia foi apedrejada e incendiada no ano de 2024 (Foto: Reprodução/Rede Clube)
A casa onde Lucélia morava (foto: TV Clube)

Desde então, ela precisou deixar o imóvel e atualmente mora de aluguel. Segundo a defesa, a suspensão da pensão tornou a situação ainda mais difícil, já que o valor ajudava a pagar as despesas do dia a dia.

“Eu ainda tenho uma vida muito sofrida, muito sofrida, do que eu passei. Porque a única casa que eu tinha foi perdida. A vida é muito sofrida ainda com tudo isso. Com tudo isso, não consigo dormir ainda direito”, falou Lucélia em entrevista à Rede Clube.

Segundo o advogado Samai Cavalcante, que representa Lucélia, a pensão foi solicitada durante o processo de indenização. A defesa pediu uma decisão provisória para que ela recebesse um valor enquanto o caso continuasse na Justiça.

“Hoje, nós temos uma ação indenizatória contra o Estado do Piauí orçada em mais de um milhão de reais, englobando ali o dano material e o dano moral. E existe outra medida judicial que está sendo processada em segunda instância no Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, porque quando nós entramos com esse processo, nós pedimos um acautelamento, uma medida liminar, para que a Lucélia ficasse recebendo um provento para manutenção da própria vida”, contou Samai.

De acordo com o advogado, a decisão que permitiu o pagamento da pensão foi tomada pela Vara da Fazenda Pública. O benefício, porém, deixou de ser pago depois de um recurso apresentado pela Procuradoria, conforme a defesa.

“E isso foi definido pelo juízo da vara civil que tramita esse processo feito da Fazenda Pública. E ela chegou a receber dois, três meses”, contou o advogado.

Ainda segundo Samai Cavalcante, a Procuradoria entrou com um recurso contra a decisão que determinou o pagamento temporário. Ele afirma que esse recurso tramita em segunda instância no Tribunal de Justiça do Piauí.

Procurada pela TV Clube sobre a situação, a Procuradoria-Geral do Estado do Piauí (PGE-PI) informou que, até o momento, não tinha conhecimento do caso. Segundo a PGE, na área de consultoria e assessoramento jurídico, a atuação ocorre somente quando há uma solicitação dos órgãos públicos.

Já na representação judicial do Estado, a Procuradoria informou que é necessária uma notificação formal da Justiça para que possa atuar no processo.

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