7 de março de 2026

Adolescentes estão preparadas para engravidar?

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Gravidez na adolescência (Foto; g1)

A resposta sempre será: NÃO!

Que fique claro: Gravidez na adolescência é acidente! Não é fruto de planejamento.

Em nenhuma cultura seria desejável que um corpo frágil, imaturo e em processo de transformação estivesse pronto para um dos maiores impactos e desafios da vida que é: GERAR OUTRA VIDA. Até porque, o desafio não se finda ao gerar essa vida, ali ele só começa.

Define-se adolescência como um período de transição entre a infância e a idade adulta, que segundo a OMS compreende a segunda década de vida (10 aos 19 anos). As transformações neste período não se restringem ao aspecto físico, mas são igualmente intensas na esfera psicossocial.

Hoje no Brasil, cerca de 400 mil adolescentes de tornam mães, o que equivale a uma mãe adolescente a cada sete bebês nascidos. O problema é maior para adolescentes de menor nível socioeconômico, que tem cinco vezes mais chance de engravidar do que adolescentes de famílias de maior renda. Esse cenário se replica a nível mundial com taxas alarmantes em países subdesenvolvidos, especialmente da África subsaariana.

Pensar nos impactos da gravidez apenas no tocante a problemas físicos acometendo o binômio mãe-filho, como maior incidência de desnutrição, pré-eclâmpsia, prematuridade, baixo peso ao nascer, ou dificuldades na via de parto seria um grande erro. Esses problemas são reais, mas são apenas um lado da moeda.

Os impactos se fazem presentes de forma permanente na vida e no futuro desta menina, que muitas vezes é “forçada” a abandonar os estudos, não só durante o período gestacional, como também após o nascimento ao ter que assumir novas responsabilidades. São meninas que interrompem o ciclo natural de amadurecimento e são empurradas à vida adulta de forma súbita e traumática, muitas vezes resultando em depressão e isolamento.  

A interrupção nos estudos por parte da mãe, as dificuldades emocionais e o frequente desajuste familiar onde estão inseridas essas adolescentes, são fatores determinantes no crescimento, na criação e na saúde do bebê que frequentemente repercutem por toda sua vida, alimentando muitas vezes um ciclo de pobreza e de menores oportunidades. 

A melhor opção será sempre a prevenção da gravidez na adolescência. Neste contexto, todo esforço é válido para proteger nossas meninas! Esse esforço compreende uma abordagem conjunta baseada em EDUCAÇÃO num sentido amplo e mais especificamente EDUCAÇÃO SEXUAL, principalmente nas escolas, acesso a SERVIÇOS DE SAÚDE que sejam ACOLHEDORES, distribuição e incentivo ao uso de MÉTODOS CONTRACEPTIVOS EFICIENTES (especialmente aqueles de longa duração- LARC’s) apoio familiar e POLÍTICAS PUBLICAS voltadas para essas metas de Educação e Saúde. 

Profª Drª Simone Madeira – Ginecologista e Obstetra
CRM 1812-PI e RQE: 198


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