23 de março de 2026

Terceirizado confessou ato sexual e tentou culpar vítima encontrada desacordada na Delegacia Geral

Vítima, de 64 anos, foi socorrida em estado grave; terceirizado já responde por homicídio e apresentou versões contraditórias

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O delegado‑geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, revelou nesta segunda‑feira (23) que o servidor terceirizado admitiu o ato sexual contra a servidora de 64 anos, encontrada desacordada e sangrando dentro da Delegacia Geral, em Teresina. Ele ainda tentou culpar a vítima, alegando falsamente que o ato teria sido consensual.

O crime ocorreu na tarde do dia 19 de março, por volta das 13h40, quando servidores perceberam que algo estava errado e chamaram socorro.

Segundo Keiko, a mulher foi encontrada desacordada, dentro da sala onde trabalha, com sangue e sinais compatíveis com violência sexual. Um servidor que passava pelo corredor viu a porta parcialmente aberta e notou que ela estava caída.

Imediatamente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. A vítima foi atendida por uma equipe de UTI móvel e levada ao hospital, onde médicos confirmaram que ela relatou ter sido violada ao recobrar a consciência.

Quando os policiais voltaram à sala para entender a situação, encontraram o terceirizado de 34 anos, que inicialmente afirmou que a vítima “entrou na sala e caiu de repente”.

No entanto, outra servidora relatou que, minutos antes, voltou ao setor para buscar um capacete e ouviu “pancadas” vindas da sala da vítima. Nesse instante, o suspeito afirmou que abriu a porta e disse que ela teria “passado mal”, mas não pediu ajuda imediatamente, o que levantou desconfiança.

O delegado‑geral disse que, ao confrontar o homem com informações já levantadas, ele mudou a versão:

“Quando fiz o interrogatório dele. Eu o achei uma pessoa fria, tentou mostrar que não estava preocupado e claramente estava mentindo. Ele admitiu o ato e tentou culpar a vítima, alegando que tinha sido consensual, mas não acreditamos, porque a vítima tinha sangue e inconsciente, ele não pediu ajuda imediata, comportamento muito estranho”, declarou o delegado-geral Lucy Keiko.

SUSPEITO RESPONDE POR HOMICÍDIO

Durante a coletiva, o delegado‑geral revelou que o preso já responde a um processo por homicídio, registrado em 2017, caso que teria envolvido um linchamento de um assaltante. A defesa do suspeito afirmou que vai se manifestar somente após o “devido esclarecimento dos fatos” e desejou “plena recuperação” à vítima.

O servidor foi contratado em 2018, quando começou a trabalhar no Instituto Médico Legal (IML). O contrato foi feito por uma empresa terceirizada e ele foi transferido para o novo prédio da Delegacia Geral em dezembro de 2025.

Na Casa da Mulher Brasileira, o terceirizado foi autuado em flagrante por estupro, passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva. Mais duas delegadas foram designadas para investigar o caso: a delegada Nathalia Figueiredo, da Delegacia de Feminicídios, e delegada Bruna Verena, diretora do Departamento da Mulher.

“Porque diante do fato, que a vítima foi para a UTI, nós entendemos um olhar maior não só a respeito do crime de estupro, como a tentativa de assassinato”, frisou Luccy Keiko.

SAÚDE DA VÍTIMA

A vítima, uma idosa de 64 anos, foi atendida e encaminhada para os procedimentos médicos e psicológicos necessários.

A vítima está internada no Hospital de Urgência de Teresina e aguarda transferência para outra unidade hospitalar. A mulher chegou a perder a consciência e ser entubada. A advogada Nathalia Freitas, que acompanha a servidora, comentou que ela sente dores e pede por proteção.

“Ela foi entubada, passou aproximadamente três dias, e estão no processo de retorno dela. Ela relata que está sentindo dores pelo corpo, como movimento involuntários que levam a entender que está em defesa. Ela pede por socorro e proteção. É uma situação grave”, destacou.

NOTA DEFESA SUSPEITO

Compreendemos o clamor popular diante da gravidade dos fatos, porém é fundamental que haja cautela na divulgação e análise das informações, uma vez que o procedimento ainda se encontra em fase inicial, baseado em elementos preliminares, além de tramitar sob sigilo.

Temos observado a circulação de informações que, em tese, constariam apenas nos autos, o que reforça a necessidade de responsabilidade na veiculação de conteúdo, a fim de não comprometer a apuração dos fatos.

Este é um momento que exige prudência. Também manifestamos nossos votos pela plena recuperação da suposta vítima, aguardando que ela possa se restabelecer completamente e, oportunamente, prestar seu relato de forma consciente e segura.

Somente após o devido esclarecimento dos fatos é que esta defesa se manifestará de forma mais aprofundada.
Por fim, pedimos respeito à suposta vítima e sua família como também a família do suposto investigado, que também vem sendo duramente atingida por exposições e ataques nas redes sociais. Trata-se de uma situação extremamente sensível, que exige responsabilidade, respeito e cautela por parte de todos.

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