A servidora pública de 64 anos, vítima de estupro dentro da Delegacia‑Geral da Polícia Civil do Piauí, em Teresina, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas continua internada sob cuidados médicos.
A informação foi confirmada nesta sexta-feira (27) pelo delegado-geral Luccy Keiko durante coletiva de imprensa sobre o indiciamento do acusado, que era terceirizado da unidade policial quando o crime aconteceu, em 19 de março de 2026. A vítima ainda não prestou depoimento em razão do seu estado delicado de saúde.
“A vítima deixou a UTI. O estado de saúde dela ainda requer muitos cuidados. Não dá para definir uma data para que ela seja ouvida. Diante da gravidade e da natureza do crime, quando isso for ocorrer, tem que ser uma abordagem muito tranquila, com um profissional adequado, para que ela não possa ser revitimizada”, declarou o delegado-geral.
INDICIAMENTO
Joelmir Fagner Barros Ferraz, ex‑terceirizado da Delegacia‑Geral da Polícia Civil do Piauí, em Teresina, foi indiciado pelos crimes de estupro e stalking. Ele foi demitido logo após o crime.
Segundo apurado, o indiciamento se baseia nos elementos reunidos ao longo da investigação, que apontam para a prática de violência sexual, além de comportamento insistente e reiterado por parte do suspeito, caracterizando o crime de perseguição.
“Nós fizemos inúmeras requisições de perícias, como exame toxicológico, local de crime e sexológico; a partir desse conjunto probatório, nós indiciamos o investigado pelos crimes de stalking e de estupro”, disse a delegada Bruna Verena, diretora de Proteção à Mulher e aos Grupos Vulneráveis da PC-PI.
A tentativa de feminicídio foi descartada, neste momento inicial, mas poderá ser incluinda caso surjam novas informações.
O delegado-geral Luccy Keiko alertou que, no primeiro sinal de violência ou importunação, a vítima deve denunciar aos órgãos responsáveis, como a polícia. “Não pode ter medo de denunciar. Não procure resolver o problema sozinho. Denuncie porque a denúncia pode evitar o mal maior”, recomendou.
CRIME NA DELEGACIA-GERAL
Joelmir Fagner Barros Ferraz, de 34 anos, suspeito de estuprar uma servidora de 64 anos dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Piauí, foi preso em flagrante no dia 19 de março de 2026, data em que o crime ocorreu.
A vítima, uma servidora de 64 anos, foi encontrada desacordada, com sangramento e sinais compatíveis com violência sexual, em uma das salas da delegacia-geral, que fica na zona Leste de Teresina (PI).
Quando o crime aconteceu, ele era funcionário terceirizado e estava trabalhando na Delegacia-Geral. As informações são do delegado-geral, Luccy Keiko, durante coletiva realizada no dia 23 de março.
No dia do crime, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência foi acionado e a vítima foi levada da delegacia-geral ao hospital. O estado de saúde foi considerado grave.
A servidora recebeu atendimento no Hospital de Urgência de Teresina e depois foi tranferida para um hospital particular, onde recebe cuidados. A vítima ficou internada em uma unidade de tratamento intensivo e chegou a ser intubada.
Inicialmente, o suspeito afirmou que a servidora teria entrado na sala e caído repentinamente. Ao ser confrontado durante interrogatório, o homem admitiu o ato sexual e tentou alegar que teria sido consensual.
O agora ex-terceirizado foi autuado por estupro, passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva.
NOTA DE DEFESA DO SUSPEITO
“Compreendemos o clamor popular diante da gravidade dos fatos, porém é fundamental que haja cautela na divulgação e análise das informações, uma vez que o procedimento ainda se encontra em fase inicial, baseado em elementos preliminares, além de tramitar sob sigilo.
Temos observado a circulação de informações que, em tese, constariam apenas nos autos, o que reforça a necessidade de responsabilidade na veiculação de conteúdo, a fim de não comprometer a apuração dos fatos.
Este é um momento que exige prudência. Também manifestamos nossos votos pela plena recuperação da suposta vítima, aguardando que ela possa se restabelecer completamente e, oportunamente, prestar seu relato de forma consciente e segura.
Somente após o devido esclarecimento dos fatos é que esta defesa se manifestará de forma mais aprofundada.
Por fim, pedimos respeito à suposta vítima e sua família como também a família do suposto investigado, que também vem sendo duramente atingida por exposições e ataques nas redes sociais. Trata-se de uma situação extremamente sensível, que exige responsabilidade, respeito e cautela por parte de todos.”
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