
O Ministério Público do Piauí (MP-PI) apura denúncias de que três policiais militares teriam agredido e ameaçado um homem preso por furto qualificado no município de Barro Duro (PI). As acusações foram feitas pelo próprio suspeito, que também afirmou que os agentes acompanharam a realização do exame de corpo de delito.
A denúncia veio à tona durante audiência de custódia realizada no dia 20 de fevereiro, onde o investigado obteve liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica. Conforme o MP-PI, o homem descumpriu as medidas cautelares impostas e voltou a praticar furtos, o que motivou a decretação de sua prisão preventiva.
De acordo com a Secretaria de Justiça do Piauí, o suspeito encontra-se atualmente em uma unidade prisional do estado, onde aguarda a conclusão do processo judicial.
A Corregedoria da Polícia Militar informou que abrirá procedimento preliminar para apurar os fatos após o recebimento da denúncia. O órgão destacou que eventual afastamento dos policiais dependerá da existência de fundamento legal.
Segundo relato prestado ao juiz, o suspeito afirmou que os policiais teriam arrombado o imóvel onde ele se encontrava e iniciado agressões com o uso de um “objeto contundente”. Ele também declarou que os agentes efetuaram disparos próximos à sua cabeça e que sofreu lesões nas costas, rosto, mãos e pernas, além de ter sido arrastado pelo chão.
Ainda durante a audiência, o homem afirmou ter sido ameaçado para omitir as agressões no exame de corpo de delito, alegando que os policiais permaneceram no local durante a realização do procedimento.
O Ministério Público informou que o laudo pericial não constatou “ofensas à integridade física ou à saúde” do suspeito. Apesar disso, o órgão decidiu investigar possível interferência na realização do exame, considerando as declarações apresentadas.
O promotor de Justiça Ari Martins Alves Filho, responsável pelo caso na Comarca de Barro Duro, determinou a oitiva dos três policiais militares envolvidos.
Em nota, o MP-PI destacou que o procedimento investigativo ainda está em andamento. Ao final, poderão ser adotadas medidas como o oferecimento de denúncia, a realização de diligências complementares ou o arquivamento do caso.
Histórico de furtos e prisão
Ao fim da audiência de custódia, em 20 de fevereiro, o juiz Geovany Costa do Nascimento concedeu liberdade provisória ao suspeito. Ele entendeu que não havia gravidade suficiente para decretar a prisão preventiva, nem indicação de outros processos em andamento.
Mesmo em liberdade provisória, a Justiça impôs medidas cautelares. Entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica por seis meses; recolhimento domiciliar à noite, nos fins de semana e feriados; e a proibição de frequentar bares, festas, boates e “bocas de fumo”.
No entanto, uma semana após a decisão, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do suspeito. O órgão apontou que ele ainda não havia instalado a tornozeleira e estava sem fiscalização.
Além disso, o MP identificou outros dez registros policiais por furtos e crimes patrimoniais, entre junho de 2025 e fevereiro de 2026. Alguns deles envolveram o uso de armas como faca, facão e trincha, entre junho de 2025 e fevereiro de 2026.
O juiz concordou com o pedido do órgão e decretou a prisão preventiva do suspeito, que foi cumprida pelas forças de segurança.
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