
Quando falamos em autismo, muitas pessoas pensam apenas em comportamento, comunicação ou socialização. Mas existe um fator silencioso que influencia diretamente o desenvolvimento dessas crianças: a alimentação. Durante o mês de conscientização do autismo, é importante ampliar esse olhar.
Muitas crianças com TEA apresentam seletividade alimentar. Isso significa que comem poucos alimentos, recusam novidades e podem ter uma alimentação bastante restrita. E não, na maioria das vezes isso não é birra ou “manha”.
Para muitas dessas crianças, a comida é uma experiência sensorial intensa. A textura, o cheiro, a cor e até a temperatura podem causar desconforto real. Algumas têm maior sensibilidade e dificuldade com mudanças, o que torna experimentar novos alimentos um grande desafio.
Outro ponto importante é a relação entre intestino e comportamento. O intestino está diretamente ligado ao nosso cérebro e participa da produção de substâncias que influenciam o humor, o sono e a atenção. Muitas crianças com autismo apresentam constipação ou desconfortos intestinais, e isso pode refletir em irritabilidade, agitação ou dificuldade de concentração.
Além disso, é comum que, pela preferência por alimentos mais crocantes e previsíveis, haja maior consumo de produtos industrializados. Quando a alimentação fica baseada principalmente nesses alimentos, pode haver prejuízo na qualidade nutricional, impactando o desenvolvimento ao longo do tempo.
Quais alimentos podem ajudar?
Não existe alimento que trate ou cure o autismo. Mas uma alimentação equilibrada pode contribuir muito para o bem-estar e o desenvolvimento da criança.
- Frutas e verduras – ricas em vitaminas, minerais e fibras, ajudam no funcionamento do intestino e na saúde geral.
- Alimentos ricos em fibras – como feijão, aveia e legumes, importantes para crianças que sofrem com constipação.
- Fontes de proteína de qualidade – como ovos, frango, peixe e carne, que contribuem para o crescimento e manutenção do organismo.
- Peixes ricos em ômega-3 – como sardinha e atum, que participam da saúde cerebral.
- Alimentos naturais e menos processados – quanto menos industrializado, melhor para o equilíbrio do organismo.
- Boa ingestão de água – fundamental para o intestino e para o funcionamento do corpo como um todo.
O mais importante é respeitar o ritmo da criança. A introdução de novos alimentos deve ser gradual, sem pressão, e com orientação profissional quando necessário.
Existe caminho
Com acompanhamento adequado, rotina estruturada, exposição gradual aos alimentos e envolvimento da família, é possível ampliar o repertório alimentar de forma respeitosa e segura. Não se trata de forçar a criança a comer, mas de construir confiança e oferecer suporte.
Conscientização sobre o autismo não é apenas usar azul em abril. É compreender as necessidades reais dessas crianças e garantir que elas tenham acesso a intervenções adequadas — inclusive no cuidado com a alimentação. Cuidar da alimentação é também cuidar do desenvolvimento, da saúde e da qualidade de vida.
Camila Maria S. Leite
Nutricionista Materno Infantil | Terapeuta Alimentar
CRN-11/15471
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