
O avanço da inteligência artificial tem transformado a rotina de empresas, bancos e consumidores, mas também abriu espaço para uma nova geração de crimes financeiros digitais. Ferramentas capazes de clonar vozes, criar vídeos falsos e simular identidades reais passaram a ser utilizadas em golpes cada vez mais sofisticados, dificultando a identificação das fraudes e ampliando os prejuízos econômicos em todo o mundo.
De acordo com o advogado criminalista João Marcos Parente, o crescimento dessas práticas exige atualização constante das legislações e também uma atuação mais técnica das autoridades de investigação.

“A inteligência artificial trouxe benefícios inegáveis para a sociedade, mas também passou a ser utilizada como instrumento para crimes financeiros extremamente sofisticados. Hoje, muitas fraudes conseguem simular vozes, documentos e comportamentos com alto nível de precisão, o que dificulta a identificação imediata da vítima e amplia os danos patrimoniais. O Direito Penal precisará acompanhar essa evolução tecnológica com mecanismos mais modernos de rastreamento, responsabilização e cooperação digital”, explica.
Nos últimos meses, relatórios nacionais e internacionais acenderam o alerta para o crescimento acelerado dos chamados “deepfakes”, conteúdos manipulados por inteligência artificial que reproduzem rostos, falas e comportamentos com alto grau de realismo. Dados divulgados pela Serasa Experian apontam que janeiro de 2025 registrou mais de 1,2 milhão de tentativas de fraude no Brasil, o maior número desde o início da série histórica. Já estudos recentes indicam aumento expressivo de golpes envolvendo clonagem de voz e identidade digital.
PRÁTICAS FREQUENTES
Entre os crimes mais comuns estão fraudes bancárias via PIX, perfis falsos de investidores, invasões corporativas e golpes praticados por meio de aplicativos de mensagens. Segundo levantamento divulgado pela Serasa Experian, mais da metade dos brasileiros já foi vítima de algum tipo de fraude, e parte significativa dos prejuízos ultrapassa R$ 5 mil.
Especialistas defendem que empresas invistam em autenticação biométrica, monitoramento de identidade digital e programas internos de compliance cibernético. Para consumidores, a principal recomendação continua sendo desconfiar de pedidos urgentes de transferências financeiras, verificar informações por outros canais e evitar compartilhamento excessivo de dados pessoais em ambientes digitais.
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