O motorista de aplicativo, José Cleuton da Silva, foi preso, nesta sexta-feira (29), suspeito de gravar e vender vídeos íntimos sem autorização das vítimas por meio de aplicativos de mensagens, cobrando R$ 75 pelo acesso ao conteúdo. A prisão ocorreu em Teresina (PI) durante a Operação Lente Oculta, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).
As investigações apontam que o suspeito utilizava uma estratégia para registrar as imagens sem que as vítimas percebessem. Durante as buscas na residência, os policiais encontraram capas de celular adaptadas em pastas com pequenos furos, permitindo a gravação clandestina de relações íntimas.
Segundo o delegado Humberto Mácola, coordenador do DRCC, o material apreendido comprova a intenção de esconder as filmagens.
“A gente encontrou essa pasta com uma capa de celular que coincide com o aparelho do investigado, com um furo feito especificamente para filmar. Há duas estruturas preparadas dessa forma. Ele colava a capa e fazia um buraco perfeito para registrar as imagens das vítimas sem que elas soubessem”, explicou.

De acordo com a Polícia Civil, os vídeos eram vendidos por meio de perfis e sistemas automatizados (“bots”) em aplicativos como o Telegram. Além disso, o suspeito utilizava fotos recentes das vítimas retiradas de redes sociais para identificá-las junto aos conteúdos íntimos, ampliando a exposição.
A investigação também aponta que algumas vítimas eram menores de idade na época em que os registros foram feitos, o que agrava ainda mais a conduta e pode configurar crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi a descoberta de possíveis irregularidades além dos crimes cibernéticos. No local, foram encontradas diversas garrafas, lacres e materiais relacionados a bebidas.
“Quando a gente chegou no local, percebeu uma grande quantidade de bebidas que aparentemente podem ser falsas, lacres e tampas. Isso indica que pode haver uma falsificação de bebidas”, afirmou o delegado.
As investigações começaram após vítimas procurarem o DRCC no dia 21 de maio deste ano. A denúncia encorajou outras mulheres a também se apresentarem, levantando a suspeita de que ainda existam mais vítimas não identificadas.
A Polícia Civil reforça que a divulgação ou compra de conteúdo íntimo sem autorização é crime grave e orienta que possíveis vítimas procurem a delegacia especializada. A recomendação é preservar provas digitais, como links e registros das publicações. O caso segue sob investigação.
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