23 de junho de 2026

Caso Xtreme Trade: líder de grupo suspeito de aplicar golpes no PI e MA continua foragido

O grupo é suspeito de aplicar golpes do tipo pirâmide financeira no Piauí e Maranhão, movimentando mais de R$ 440 milhões.

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Foto: reprodução

O líder da empresa Xtreme Trader, Francisco Silva, segue foragido após mais de um ano do início das investigações. O grupo é suspeito de aplicar golpes do tipo pirâmide financeira no Piauí e Maranhão, movimentando mais de R$ 440 milhões, com mais de 300 vítimas.

A reportagem tentou localizar a defesa do suspeito, mas até a publicação desta matéria não conseguiu contato. O espaço segue aberto para manifestações.

O delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), explicou ao Portal ClubeNews, nesta terça-feira (23), que o homem chegou a se apresentar virtualmente à Polícia Civil em junho de 2025, por videoconferência, mas desde então nunca mais tentou contato.

“Ele não se apresentou pessoalmente porque alegava receio em relação às ameaças e sua integridade física. O detalhe é que ele estaria em um país da Europa, salvo engano, seria Portugal, naquele momento, quando ele foi ouvido, mas nem a gente tem essa informação como certa, foi o que ele disse na época”, afirmou.

Após esse episódio, as investigações apontaram que Francisco estaria no Paraguai nos primeiros meses deste ano. Uma foto dele em uma academia foi registrada e, depois disto, a polícia não teve mais informações sobre o seu paradeiro.

“A gente teve informações de que ele estaria no Paraguai, em Cidad del Este, no começo de 2026, e aí encerram-se as informações com relação a ele depois disso”, disse o delegado.

Desdobramentos

Na segunda-feira (22), duas pessoas que fazem parte do grupo foram presas em Timon (MA) e São Luís (MA). Segundo a polícia, este é o maior esquema do tipo ‘Ponzi’ já registrado no Piauí.

Suspeitos presos em Timon e São Luís (foto: reprodução / PC-PI)

Mais de 300 vítimas

Pelo menos 300 pessoas foram lesadas financeiramente pelo grupo criminoso. Uma das vítimas chegou a investir cerca de R$ 1 milhão, com a promessa de retorno mensal de até 10% do valor investido. Os golpistas alegavam que o dinheiro viria de operações na Bolsa de Valores do Brasil – B3.

“O inquérito não finalizou, eu estou analisando as cargas bancárias. Pode ser que a gente encontre vítimas que tenham investido mais do que isso. Das mais de 300 vítimas, só foram ouvidas na polícia mesmo aproximadamente 1/3 disso”, frisou Luciano Alcântara.

Ainda de acordo com o delegado, muitas vítimas evitaram prestar queixa à polícia por medo de exposição.

“Muitas vítimas não compareceram por constrangimento, porque elas acham que o valor que perderam não vale a penar ir à delegacia, porque elas têm vergonha de ir à delegacia de ter o seus nomes ligados a uma investigação. Então, são vários motivos”, esclareceu.

Diante do avanço das investigações, o delegado solicitou a suspensão temporária das atividades da Xtreme Trader devido a indícios de que a empresa estaria sendo usada como fachada para a prática criminosa. Caso a suspeita seja confirmada, a empresa deverá ser extinta na Junta Comercial do Piauí (Jucepi).

“Ela está bloqueada, estão suspensas suas atividades até que este procedimento seja encerrado. Confirmando-se que ela foi usada como empresa de fachada para aplicar golpes e receber dinheiro das vítimas, o juiz deferiu que, caso chegue-se a essa conclusão, que ela seja extinta”, ressaltou.

Ainda na tarde desta terça-feira (23), Luciano Alcântara se reuniu com vítimas em uma unidade policial da capital para obter mais informações relacionadas ao inquérito.

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