
A expectativa de vida da população nunca foi tão alta. Hoje, é comum encontrar pessoas chegando aos 70, 80 e até 90 anos com boa saúde, independência e qualidade de vida. Mas existe um conceito que começa a ganhar espaço na medicina e merece atenção: o “sex span”, expressão que pode ser traduzida como “tempo de vida sexual ativa”.
A ideia é simples. Não basta viver mais. O objetivo é viver mais anos com saúde, disposição e uma vida sexual satisfatória.
Durante muito tempo acreditou-se que o desejo sexual desaparecia naturalmente com o envelhecimento. Felizmente, essa ideia vem sendo desmistificada. A sexualidade não tem prazo de validade. O que muda são as necessidades, a forma de viver a intimidade e, principalmente, a maneira como o corpo responde ao passar dos anos.
Envelhecer não significa abrir mão da sexualidade
É verdade que homens e mulheres passam por alterações hormonais e físicas que podem interferir na vida sexual.
Nos homens, a ereção pode levar mais tempo para acontecer, exigir maior estímulo e apresentar menor rigidez. Também pode ocorrer redução da testosterona, principalmente quando associada a doenças como obesidade, diabetes e síndrome metabólica.
Mas essas mudanças não significam o fim da vida sexual. Na maioria dos casos, elas podem ser tratadas ou minimizadas quando identificadas corretamente.
Corpo ativo, vida sexual ativa
Diversos estudos mostram que homens que praticam atividade física regularmente apresentam melhor função erétil, maior disposição, menor risco cardiovascular e melhor qualidade de vida.
Isso acontece porque o exercício melhora a circulação sanguínea, reduz processos inflamatórios, favorece o controle hormonal e preserva a saúde dos vasos sanguíneos fatores fundamentais para a função sexual.
Além disso, manter um peso saudável, dormir bem, controlar doenças crônicas e abandonar o cigarro também contribuem para preservar a saúde sexual ao longo dos anos.
A intimidade também evolui
Com o passar do tempo, muitos casais descobrem novas formas de viver a sexualidade.
A relação deixa de estar centrada apenas na performance e passa a valorizar mais o afeto, a conexão emocional, o toque e o prazer compartilhado.
Essa mudança de perspectiva costuma reduzir a ansiedade de desempenho e tornar a experiência sexual mais satisfatória.
O maior obstáculo ainda é o preconceito
Infelizmente, muitos idosos evitam conversar sobre sexualidade, seja por vergonha, seja porque acreditam que esse assunto não faz mais parte da sua fase de vida.
Esse silêncio faz com que problemas como disfunção erétil, redução da libido, dor durante as relações ou alterações hormonais permaneçam sem tratamento, impactando não apenas a vida sexual, mas também a autoestima, os relacionamentos e a saúde mental.
Nunca é tarde para procurar ajuda
Hoje a urologia dispõe de diversas opções para melhorar a qualidade da vida sexual, desde mudanças no estilo de vida até medicamentos, terapias hormonais cuidadosamente indicadas, fisioterapia do assoalho pélvico e procedimentos minimamente invasivos, sempre respeitando as características e os objetivos de cada paciente.
O mais importante é entender que envelhecer não significa abandonar a sexualidade.
Na verdade, com mais conhecimento, prevenção e acompanhamento médico, muitas pessoas conseguem prolongar sua vida sexual saudável por muitos anos.
Assim como buscamos aumentar nossa expectativa de vida, devemos também investir na qualidade desses anos. Afinal, viver mais faz mais sentido quando também conseguimos viver melhor.
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