Um adolescente, que teve a identidade preservada, foi apreendido nesta terça-feira (14), pela Polícia Civil do Piauí, suspeito de planejar um ataque em uma escola estadual da zona Norte de Teresina.
A medida foi cumprida pela 3ª Delegacia Seccional da capital após decisão judicial que determinou a internação provisória do jovem, investigado por atos infracionais análogos aos crimes de ameaça, apologia ao crime, incitação ao crime, além de contravenções relacionadas ao porte de arma branca e falso alarme.

O caso teve início em março de 2026, quando o adolescente foi flagrado dentro de uma escola estadual após publicar em uma rede social mensagens em que anunciava a intenção de realizar um atentado na unidade de ensino.
Durante a abordagem realizada pela Polícia Militar, foram encontrados com ele uma faca e uma balaclava. Na ocasião, o estudante teria admitido que pretendia cometer o ataque em razão de conflitos enfrentados no ambiente escolar.
Inicialmente, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que concedeu remissão ao adolescente, medida posteriormente homologada pela Justiça. No entanto, a Polícia Civil decidiu aprofundar as investigações, principalmente porque o celular apreendido com o jovem ainda não havia passado por perícia técnica.
Com autorização judicial, os investigadores realizaram a extração e análise dos dados armazenados no aparelho. Segundo a Polícia Civil, o material revelou indícios de que a ameaça não teria sido apenas uma manifestação impulsiva.
Comparsa desistiu
Entre os conteúdos encontrados estavam conversas sobre planejamento de ataques em escolas, pesquisas relacionadas à compra de armas de fogo, buscas por instituições de ensino da capital, referências a datas ligadas a massacres escolares e conteúdos que exaltavam autores de atentados semelhantes.
De acordo com o delegado Eduardo Aquino, responsável pela investigação, um comparsa que participaria do ataque desistiu.

“Tinha uma outra pessoa conversando com ele que iria cometer esse atentado junto, mas, que posteriormente desistiu. Inclusive, ele [investigado] chama a pessoa de covarde quando a pessoa diz ‘eu não vou mais fazer, conversei aqui, me arrependi’ […]. Mas, essa pessoa ainda não foi identificada”, disse o delegado.
De acordo com a investigação, os elementos reunidos apontam para um possível planejamento do ataque, demonstrando persistência da intenção e preparação para a prática do ato.

Outro fator que pesou para o pedido de internação provisória foi a avaliação de que o risco permanecia atual. Conforme informações da Polícia Civil, durante acompanhamento psicológico realizado pelo CAPS Infantojuvenil, o adolescente voltou a mencionar recentemente a intenção de promover um massacre em ambiente escolar. Em razão desse comportamento, a direção da escola teria determinado um novo afastamento temporário do estudante.
Diante do conjunto de provas coletadas durante a investigação, a Polícia Civil representou pela internação provisória do adolescente. A medida foi autorizada pela Justiça, que considerou os indícios apresentados, a gravidade dos fatos investigados e a necessidade de garantir a segurança da comunidade escolar.
O Portal ClubeNews tenta contato com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para maiores esclarecimentos.
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