Encontrar uma vaga em um cemitério público de Teresina tem se tornado um desafio cada vez maior para famílias que precisam sepultar parentes. Dos 12 cemitérios municipais da capital, apenas dois ainda dispõem de espaços para novos sepultamentos, cenário que tem gerado reclamações da população e levantado discussões sobre a capacidade da cidade de atender a uma demanda considerada inevitável.
A situação é apontada por moradores de diferentes regiões de Teresina e afeta principalmente famílias de baixa renda, que muitas vezes não têm condições de recorrer aos serviços da rede privada.

Na zona Norte, moradores da região da Santa Maria da Codipi denunciam a falta de vagas no cemitério local. O problema, no entanto, não se restringe a uma única área da cidade.
Na zona Leste, dos três cemitérios existentes, apenas o Santa Mônica ainda possui vagas disponíveis, e mesmo assim em quantidade limitada e destinadas exclusivamente a moradores da própria região.
Já na zona Sul, o Cemitério Santa Cruz segue recebendo novos sepultamentos. O Dom Bosco, por sua vez, opera principalmente com a reabertura de jazigos pertencentes a famílias que possuem direito de perpetuidade.
No Centro de Teresina, o Cemitério São José, considerado um dos mais tradicionais da capital e inaugurado em 1859, não possui mais vagas para novos sepultamentos.
A situação é ainda mais restritiva na zona Sudeste. Os cemitérios administrados pelo município não estão mais recebendo novas sepulturas, restando apenas a possibilidade de reabertura de espaços já pertencentes a famílias com direito de uso perpétuo.
Outro caso é o do Cemitério Areias, na zona Sul. O local está interditado para novos sepultamentos desde a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público em 2004. O dado mostra que a limitação de vagas não é um problema recente e se arrasta há anos.
Ampliação prevista não acompanha demanda
Na zona Norte, uma das alternativas planejadas pelo município é o Cemitério do Camboa, localizado na região do bairro Jacinta Andrade. A área possui cerca de 16 hectares e tem previsão para receber aproximadamente 4.740 novos sepultamentos.
Apesar da capacidade projetada, moradores da região afirmam que a estrutura ainda não atende à demanda esperada. A situação tem alimentado preocupações sobre a necessidade de investimentos e expansão da rede pública de cemitérios.
Falta de vagas aumenta custos para famílias
Sem espaço disponível nos cemitérios públicos, muitas famílias acabam recorrendo aos cemitérios particulares. O problema é que, além do luto, elas precisam lidar com despesas elevadas para garantir o sepultamento.
No setor privado, os serviços incluem diferentes modalidades de jazigos, velórios e planos funerários individuais ou familiares. Dependendo da estrutura escolhida, os custos podem ultrapassar R$ 10 mil.

Alguns empreendimentos oferecem áreas consideradas mais acessíveis para tentar atender a população que não consegue vaga na rede pública, mas ainda assim os valores estão fora da realidade financeira de muitas famílias.
Debate chega à Câmara Municipal
A falta de vagas nos cemitérios públicos também chegou ao debate político. O tema foi levado à tribuna da Câmara Municipal de Teresina pelo vereador Deolindo Moura (PT) que propôs a realização de uma audiência pública para discutir a situação.

Segundo o parlamentar, famílias em situação de vulnerabilidade costumam depender de auxílio para arcar com os custos funerários. Ele também relatou casos de sepultamentos realizados de forma improvisada na área externa do Cemitério Santa Cruz, na zona Sul, diante da dificuldade de encontrar vagas disponíveis dentro do espaço.
“Nós queremos garantir que a gente possa fazer um grande debate na câmara municipal de Teresina com uma audiência pública. Nós estamos já com as assinaturas necessárias para realizar essa audiência pública o mais rápido possível e possa convocar as administrações dos cemitérios, mas também os donos de funerárias na cidade de Teresina para que a gente tenha esse rodízio”, disse.
O cenário reacende a discussão sobre o planejamento urbano da capital. Enquanto a população cresce e a ocupação da cidade avança, a disponibilidade de áreas destinadas a novos cemitérios ou à ampliação dos já existentes se torna uma questão cada vez mais urgente para o poder público.
O outro lado
Em nota, a Prefeitura de Teresina informou que os cemitérios municipais continuam passando por manutenção e acompanhamento contínuo.
Na zona Sudeste, o único cemitério pertencente ao município, o Renascença I, não tem mais vagas para novos sepultamentos. A gestão informou ainda que existe um terreno adquirido na administração anterior para a implantação de um novo cemitério na região, mas que a área ainda precisa passar por estudos técnicos de viabilidade.
Já na zona Norte, a prefeitura destacou que o Cemitério Camboa foi criado para ampliar a oferta de vagas e continua com capacidade para receber novos sepultamentos.
O município também informou que, no Cemitério Santa Maria da Codipi, novos sepultamentos são proibidos por determinação do Ministério Público, devido ao risco de contaminação do lençol freático.
Segundo a administração municipal, foram construídos novos jazigos para atender famílias inscritas no Cadastro Único.
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!