18 de junho de 2026

Piauí registra 2º menor salário no setor cultural e menor proporção de empresas, diz IBGE

O brasileiro que trabalha com cultura ganha, em média, duas vezes e meia a mais que o piauiense.

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Piauí registra 2º menor salário no setor cultural e menor proporção de empresas

O Piauí registrou, em 2022, o segundo menor salário médio no setor cultural e a menor proporção de empresas da área em todo o Brasil. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC).

A remuneração média mensal dos trabalhadores assalariados da cultura no estado foi de apenas R$ 1.871. Este valor supera apenas o do Amapá, que paga R$ 1.665, e está muito abaixo da média nacional de R$ 4.624, ou seja, o brasileiro que trabalha com cultura ganha, em média, duas vezes e meia a mais que o piauiense.

No ranking dos maiores salários, destacam-se:

  • São Paulo: R$ 6.356
  • Rio de Janeiro: R$ 5.345
  • Distrito Federal: R$ 5.119

Baixa proporção de empresas culturais

Em relação ao empreendedorismo, o cenário também é desafiador. O Piauí contabilizou 5.178 unidades locais de empresas do setor cultural em 2022. Esses empreendimentos representam apenas 4,9% de todas as unidades empresariais do estado, a menor proporção entre todas as unidades da federação, empatado com o Pará.

Para efeito de comparação, a média nacional é de 6,6%. O Distrito Federal lidera o ranking (9%), seguido pelo Rio de Janeiro (8,7%).

Informalidade e perfil do trabalhador

Em 2024, o setor cultural piauiense ocupava cerca de 49 mil pessoas. Desse total, a informalidade é uma realidade para a maioria: 59,7% trabalham sem carteira assinada ou CNPJ, o sétimo maior índice do país. A média brasileira de informalidade no setor é de 44,6%.

O levantamento também traçou o perfil predominante do trabalhador da cultura no Piauí:

  • Gênero: Maioria feminina (51,7%);
  • Raça/Cor: Predominância de pessoas pardas (55,5%), seguidas por brancas (32,2%) e pretas (12,3%);
  • Idade: Mais da metade (54%) tem entre 30 e 49 anos.

Quanto à escolaridade, 50,1% possuem ensino médio completo ou superior incompleto. Já aqueles com ensino superior completo representam 22,8% da força de trabalho.

Descompasso na formação acadêmica

Um dado que chama a atenção é a baixa absorção de profissionais qualificados na área. O Piauí possuía 39.153 pessoas com ensino superior em áreas relacionadas à cultura em 2022. No entanto, apenas 3.451 delas (8,8%) trabalhavam efetivamente no setor. Este é o quinto menor índice de aproveitamento do país.

Por outro lado, entre os trabalhadores que estão ocupados no setor cultural e possuem nível superior, 65% não são formados em áreas ligadas à cultura.


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