1 de fevereiro de 2026

Monumento de Iemanjá é depredado em Teresina um dia antes de celebração da Orixá

O crime ocorreu na véspera das festividades em homenagem à orixá, celebrada por seguidores de religiões de matriz africana no dia 2 de fevereiro.

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O aquário de vidro e uma parte da mão da estatua foi quebrado (Foto: Reprodução)

O monumento que abriga a estátua de Iemanjá, na Avenida Marechal Castelo Branco, bairro Cabral, em Teresina, foi alvo de vandalismo neste domingo (1º). O crime ocorreu na véspera das festividades em homenagem à orixá, celebrada por seguidores de religiões de matriz africana no dia 2 de fevereiro.

A estrutura de vidro que protege a imagem foi destruída e parte da mão da estátua foi quebrada durante a ação. A Polícia Civil investiga o caso, mas nenhum suspeito foi identificado ou preso até a última atualização desta reportagem.

O babalorixá Rondinele Santos de Oxum, representante da Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA), classificou o ato como intolerância religiosa. Ele destacou que a ação é agravada pela proximidade com a data sagrada para as comunidades tradicionais.

“O que torna esse ataque ainda mais grave é o fato de ocorrer faltando apenas um dia para o Dia de Iemanjá. Não se trata de vandalismo comum, mas de uma violência simbólica, religiosa e cultural, que atinge diretamente nossa fé, nossa história e nossa dignidade”, afirmou o representante.

Confira a nota na íntegra:

“DENÚNCIA PÚBLICA | INTOLERÂNCIA RELIGIOSA EM TERESINA (PI)

Mais uma vez, a imagem de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina (PI), foi depredada. O vidro do aquário foi quebrado, assim como a mão da imagem, configurando um ato claro e criminoso de intolerância religiosa.

O que torna esse ataque ainda mais grave é o fato de ocorrer faltando apenas um dia para o Dia de Iemanjá, data sagrada para os povos e comunidades tradicionais de matriz africana. Não se trata de vandalismo comum, mas de uma violência simbólica, religiosa e cultural, que atinge diretamente nossa fé, nossa história e nossa dignidade.

O Piauí é o quarto estado que mais violenta comunidades tradicionais de matriz africana, e episódios como este comprovam, dia após dia, a ausência de ações efetivas do Governo do Estado e da Segurança Pública para prevenir, investigar e responsabilizar os autores desses crimes.

Há mais de dois anos solicitamos a instalação de câmeras de monitoramento naquela região, justamente para coibir e identificar esse tipo de ataque. Agora, esperamos que as câmeras existentes, como as do sistema SPIA, sejam efetivamente utilizadas para identificar e responsabilizar o(s) infrator(es).

Exigimos das autoridades:
• Investigação imediata;
• Responsabilização criminal dos autores;
• Proteção efetiva aos monumentos religiosos;
• Políticas públicas concretas de combate à intolerância religiosa.

Nossa fé não é crime.
Nossa cultura não é alvo.
Nossa existência exige respeito.

Aguardamos uma resposta concreta da Segurança Pública do Estado do Piauí.

Babalórixá Rondinele de Oxum
Articulação Nacional de Povos de Matriz Africanas e Ameríndia – ANPMA-Brasil”

Histórico de ataques

Esta não é a primeira vez que o monumento sofre agressões. Desde a inauguração, em 14 de abril, a homenagem tem sido alvo de violência e intolerância. Nas redes sociais, as comunidades relatam o recebimento de mensagens de ódio, ofensas e ameaças de destruição da estrutura.

Caso que aconteceu no dia 08 de junho de 2024 (Foto: Redes Sociais)

O local é monitorado por câmeras do sistema Spia, da Secretaria de Segurança Pública do Piauí. As imagens poderão auxiliar a polícia na identificação dos responsáveis pelo crime.

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