
O Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, por meio da 98ª Zona Eleitoral, condenou, nesta segunda-feira (27), a vereadora de Teresina Tatiana Medeiros (PSB) a 19 anos, 10 meses e sete dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro e peculato-desvio (uso indevido de dinheiro ou bens sob responsabilidade do cargo público).
Tatiana também perdeu seu mandato de vereadora. Ela foi eleita com 2.925 votos. A parlamentar está presa desde o dia 3 de abril de 2025 após a operação Escudo Eleitoral II, deflagrada pela Polícia Federal.
Também foram condenados outros oito investigados apontados como integrantes de um esquema dividido em núcleos de comando, financeiro e operacional, além de atuação por meio de uma organização não governamental. As penas variam entre seis e 17 anos de prisão, incluindo reclusão, detenção e pagamento de multa.
De acordo com a decisão, os réus tinham funções específicas dentro da estrutura, como financiamento da campanha, intermediação de recursos, aliciamento de eleitores e operacionalização de pagamentos, inclusive por meio de transferências via PIX.

O companheiro da parlamentar, Alandilson Cardoso Passos, foi condenado a mais de 17 anos de reclusão, além de sete anos de detenção, apontado como responsável pelo financiamento e ligação com organização criminosa. Já o padrasto da vereadora, Stênio Ferreira Santos, e a mãe, Maria Odélia de Aguiar Medeiros, também receberam penas superiores a 13 anos por atuação no núcleo financeiro e na gestão de estrutura utilizada no esquema.
Outros envolvidos, como assessores, familiares e funcionários ligados à ONG Instituto Vamos Juntos, foram condenados por participação na execução operacional, com penas que variam entre seis e nove anos de prisão.
Apenas Lucas de Carvalho Dias Sena, cunhado da vereadora, foi absolvido de todas as acusações por insuficiência de provas. Além das penas de prisão e multa, todos os condenados deverão pagar, de forma solidária, R$1 milhão por danos à coletividade e perder cargos ou mandatos eletivos.
VEJA AS CONDENAÇÕES:
- Tatiana Teixeira Medeiros (vereadora; líder do grupo)
Crimes: organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro e peculato-desvio (uso indevido de dinheiro ou bens sob responsabilidade do cargo público)
Pena: 19 anos, 10 meses e 7 dias de reclusão + 492 dias-multa
- Alandilson Cardoso Passos (companheiro; financiador)
Crimes: organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e atuação como financiador do esquema
Pena: 17 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão + 7 anos, 2 meses e 23 dias de detenção + 471 dias-multa
- Stênio Ferreira Santos (padrasto; operador financeiro)
Crimes: organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e desvio de recursos
Pena: 13 anos, 11 meses e 26 dias de reclusão + 6 anos, 2 meses e 5 dias de detenção + 291 dias-multa

- Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe; gestora de ONG)
Crimes: organização criminosa, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro
Pena: 14 anos, 2 meses e 5 dias de reclusão + 58 dias-multa

- Emanuelly Pinho de Melo (assessora; operadora de pagamentos)
Crimes: organização criminosa, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro
Pena: 7 anos, 9 meses e 26 dias de reclusão + 202 dias-multa
- Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã; intermediadora)
Crimes: organização criminosa, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro
Pena: 7 anos, 9 meses e 26 dias de reclusão + 70 dias-multa
- Sávio de Carvalho França (funcionário da ONG)
Crimes: organização criminosa e corrupção eleitoral
Pena: 9 anos, 5 meses e 27 dias de reclusão + 30 dias-multa
- Bruna Raquel Lima Sousa (funcionária da ONG)
Crimes: organização criminosa e corrupção eleitoral
Pena: 6 anos, 11 meses e 30 dias de reclusão + 22 dias-multa
- Lucas de Carvalho Dias Sena (cunhado)
Situação: absolvido por insuficiência de provas
Entenda como funcionava o esquema:
O esquema criminoso era uma organização estruturada em três núcleos, comando, financeiro e operacional, com o objetivo de garantir a eleição de Tatiana Medeiros em Teresina. A liderança era compartilhada entre a candidata e o companheiro, Alandilson Cardoso Passos, apontado como principal financiador e elo com a facção “Bonde dos 40”.

O financiamento da rede ocorria por meio de uma estrutura que utilizava recursos de origem ilícita, como tráfico de drogas e agiotagem, além do peculato-desvio, prática em que servidores públicos nomeados por influência do grupo repassavam parte dos salários para a conta da candidata.
No plano operacional, o grupo utilizava o Instituto Vamos Juntos, ONG presidida pela mãe da candidata, como base para o recrutamento de eleitores e o mapeamento de votos por família. O esquema incluía pagamentos via PIX, geralmente no valor de R$ 100, além da distribuição de cestas básicas vinculadas ao compromisso de voto.
Segundo a decisão, para garantir o cumprimento dos acordos, os envolvidos exigiam comprovação do voto, como fotos da urna ou descrições da tela de votação. Eleitores que não comprovavam o apoio eram excluídos da rede de benefícios oferecidos pela instituição.
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