21 de maio de 2026

“Afeta nossa saúde mental”, diz mulher trans sobre proposta de restringir banheiros femininos em Teresina

Ela relatou que, nos anos 1980, quando era estudante, já sentia receio de entrar no banheiro feminino e que, mais de 40 anos depois, a pauta voltou a ser debatida.

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O projeto de lei que busca restringir o uso de banheiros femininos por mulheres trans e travestis em Teresina tem gerado discussão na capital. A proposta, de autoria do vereador Petrus Evelyn (Progressistas), tramita na Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) da Câmara Municipal e deve ser colocada em pauta na próxima terça-feira (26). Caso seja aprovada na comissão, a matéria seguirá para votação em plenário.

Em entrevista à TV Clube, a técnica de enfermagem Veronika de Souza afirmou que a discussão sobre o tema provoca medo e afeta a saúde mental de mulheres trans e travestis. Ela relatou que, nos anos 1980, quando era estudante, já sentia receio de entrar no banheiro feminino e que, mais de 40 anos depois, a pauta voltou a ser debatida.

Técnica de enfermagem Veronika de Souza (Foto: TV Clube)

Veronika contou que tem todos os documentos retificados e tenta levar uma vida comum, mas ainda precisa lidar com olhares, julgamentos e situações de exclusão em espaços que deveriam ser acessíveis, como banheiros públicos.

“Pessoas trans não causam violência no banheiro. Nós queremos usar o banheiro exatamente para nossas necessidades fisiológicas e nada além disso. Lavar as mãos, retocar a maquiagem. Eles colocam essa pauta moral, que não é moral. Devia ser uma pauta de saúde. É um direito adquirido e constitucional”, lamentou.

O presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí, Carlos Germano, considera o projeto inconstitucional. Segundo ele, não cabe ao poder público municipal criar legislação que marginalize uma parcela da população.

Presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-PI, Carlos Germano (Foto: TV Clube)

“O município não pode legislar sobre matéria de direito civil e nem sobre os direitos fundamentais. Então, quando o vereador propõe essa lei, invadindo competência privativa da União, é uma lei que já nasce inconstitucional. Ela tende a prejudicar uma parcela da sociedade”, afirmou.

Entenda o projeto de lei

O projeto foi apresentado pelo vereador Petrus Evelyn e recebeu o nome de “Política Municipal de Proteção da Mulher”. A proposta tramita na Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal de Teresina e aguarda análise para seguir ao plenário.

Na primeira matéria publicada pelo Portal ClubeNews sobre o caso, o parlamentar afirmou que o objetivo do texto é garantir mais segurança às mulheres e defendeu que os banheiros femininos sejam usados por “mulheres biológicas”.

Entre as diretrizes apresentadas no projeto estão a aplicação de critérios relacionados a aspectos biológicos das mulheres, a igualdade de condições em avaliações de concursos públicos municipais e práticas esportivas, além da garantia de uso de banheiros destinados às mulheres sob a justificativa de preservação da intimidade, segurança e dignidade. A proposta também prevê palestras, campanhas educativas, audiências públicas e debates sobre a valorização da mulher.


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