O alcoolismo funcional tem crescido de forma silenciosa e já se configura como um problema de saúde pública. Nesse quadro, a pessoa mantém a rotina de trabalho, relações sociais e responsabilidades, o que dificulta a identificação do vício e atrasa o diagnóstico. A falsa sensação de controle faz com que muitos não percebam o agravamento da dependência, prolongando os danos físicos e emocionais.
No Piauí, os reflexos desse cenário já são evidentes. O estado ocupa o quinto lugar no país em internações provocadas pelo impacto do consumo de álcool. Em Teresina, a situação também chama atenção: levantamento do Ministério da Saúde aponta que a capital é a terceira entre as que registram maior consumo abusivo de bebidas alcoólicas.
Especialistas alertam que, mesmo em casos aparentemente “funcionais”, o uso frequente e excessivo pode evoluir para quadros graves e comprometer a saúde a longo prazo.

Em entrevista à TV Clube, o psiquiátra Valterdes Soares explicou que os primeiros sintomas incluem disforia (desconforto) e irritabilidade quando há ausência do álcool no organismo. O problema se agrava com o passar do tempo, com impactos no trabalho e nas relações sociais.
“Começa no consumo, progride e as lesões vão aumentando. Então, se a gente falar do sistema nervoso central, a gente vai ter ali uma degeneração do cerebelo. A pessoa sente uma fraqueza, que não anda um quarteirão, com uma neuropatia. Ela perde o equilíbrio também, isso é um estágio mais demorado”, afirmou.
Ainda de acordo com o especialista, o alcoolismo pode desencadear transtornos mentais, como depressão e ansiedade, podendo resultar em suicídio.
“A taxa de suicídio em quem faz uso de bebida alcóolica é bem maior do que na população em geral […]. Não procura um psiquiatra e vai tentar aliviar a depressão com álcool. Ao invez de ter um problema, vai ter dois problemas”, destacou.
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