24 de agosto de 2026

Suspeita de tentar sequestrar bebê acreditava estar grávida e já havia sofrido abortos, diz defesa

Investigação apura se técnica de enfermagem passou por gravidez psicológica; exame realizado na maternidade apontou ausência de feto, segundo a Polícia Civil

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A investigação sobre a tentativa de sequestro de uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (PI), apura agora um novo elemento: a possibilidade de a técnica de enfermagem presa pelo caso acreditar que estava grávida, mesmo sem gestação em curso.

Segundo o delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), testemunhas informaram que a suspeita apresentava sinais de uma suposta gravidez e chegou a organizar um chá de fralda, levando colegas e pessoas próximas a acreditarem que esperava um bebê.

No entanto, um exame realizado pela Unidade de Saúde do Trabalho da própria maternidade teria apontado que não havia feto.

“Segundo a testemunha que foi ouvida, justamente uma enfermeira, ela tomou conhecimento depois que o exame constatou que não havia feto. Ela relatou que a suposta autora teria feito até um chá de fralda, que apresentava uma barriga gestacional e até então todos acreditavam”, afirmou o delegado.

Apesar disso, a polícia ainda não sabe se a mulher esteve grávida em algum momento ou se enfrentava uma gravidez psicológica desde o início. O fato está em investigação.

“A gente não tem essa informação se realmente em algum momento ela esteve grávida ou se foi uma gravidez psicológica desde o princípio”, acrescentou Hugo Alcântara.

Técnica de enfermagem é presa suspeita de tentar sequestrar recém-nascida em maternidade de Teresina. (Foto: SSP-PI e Nova Maternidade)

DEFESA CITA HISTÓRICO DE ABORTOS

A defesa da suspeita sustenta que ela enfrenta problemas psicológicos relacionados a abortos sofridos anteriormente e que realiza acompanhamento psiquiátrico há algum tempo.

Segundo o advogado Tiago Carvalho Moreira, a mulher utiliza medicação controlada e faz tratamento psicológico em razão dos traumas provocados pelas perdas gestacionais.

“Ela passa por tratamento psicológico devido a abortos passados. Por conta disso ela toma medicação controlada”, afirmou.

O advogado disse ainda que os abortos teriam provocado um forte impacto emocional na cliente.

“Ela sofreu aborto e, por conta desses abortos, vem traumatizada. E por conta desses traumas, vem passando por tratamento psiquiátrico. Ela acredita de fato que está grávida, ainda”, declarou.

CASO EM INVESTIGAÇÃO

A suspeita foi presa preventivamente nesta quarta-feira (08), após receber alta de uma internação em um hospital psiquiátrico de Teresina. De acordo com a Polícia Civil, ela será interrogada e passará por audiência de custódia.

A investigação aponta que ela teria colocado uma recém-nascida dentro de uma bolsa e tentado deixar a maternidade com a criança.

A ação foi interrompida pela tia da bebê, que desconfiou do comportamento da mulher e conseguiu retirar a recém-nascida antes que ela saísse da unidade.

CONFIRA O POSICIONA DA DEFESA

A defesa técnica de Auricélia de Sousa Rocha, representada pelo advogado Tiago Carvalho Moreira (OAB/PI nº 16.503 | OAB/MA nº 24.219-A), vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

Desde o início, a defesa manifesta profundo respeito à família da recém-nascida, aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ao trabalho desenvolvido pelas autoridades responsáveis pela investigação dos fatos.

Entretanto, é imprescindível destacar que o caso possui um aspecto de extrema relevância que não pode ser ignorado: a condição de saúde mental da investigada.

Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Estado do Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado.

Além disso, a defesa juntou aos autos documentos que demonstram que ela fazia uso de medicação de natureza psiquiátrica, circunstância que será devidamente submetida à apreciação do Poder Judiciário.

No atual estado clínico, conforme constatado pela defesa e pelos familiares, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade vivenciada, demonstrando dificuldade para compreender a gravidade dos fatos investigados e até mesmo a própria situação processual em que se encontra. Essa percepção é compatível com a necessidade de avaliação especializada já documentada, mas a repercussão jurídica desse quadro deverá ser apurada pelos meios periciais previstos na legislação, não cabendo à defesa antecipar conclusões sobre sua imputabilidade penal.

A defesa informa que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrará Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada também à luz dos documentos médicos supervenientes já apresentados ao Juízo.

É importante ressaltar que essa iniciativa não busca minimizar a gravidade dos fatos investigados, tampouco desrespeitar o sofrimento da família envolvida. O objetivo é assegurar que o processo penal observe integralmente a Constituição Federal, o devido processo legal e os direitos fundamentais da investigada, inclusive o direito de receber tratamento médico adequado quando há elementos clínicos relevantes.

A defesa reafirma sua confiança nas instituições, no Ministério Público e no Poder Judiciário, acreditando que todas as decisões serão tomadas com base nas provas constantes dos autos, na legislação vigente e nos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.

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