Delegados da Polícia Civil do Piauí, responsáveis pela operação que investiga a DF Trader, explicaram que o grupo atuava com promessas de altos lucros no mercado de capitais para atrair vítimas no estado piauiense, em especial Teresina (PI). A investigação acredita que os empresários fizeram mais de 70 vítimas.
Na operação, deflagrada na sexta-feira (10), a polícia prendeu suspeitos, incluindo o empresário Douglas Fonseca, apontado como principal investigado. Também foram apreendidos documentos que podem estar ligados a contratos do grupo. O material será analisado nos próximos dias.
Segundo o delegado Roni Silveira, os suspeitos faziam anúncios, principalmente nas redes sociais, divulgando ganhos considerados “exorbitantes”, com promessas que chegavam a até 10% ao mês, valores que, de acordo com as investigações, não são sustentáveis de forma regular.
“O grupo atuava basicamente na promessa de investimentos no mercado de capitais. Eles faziam anúncios, especialmente em redes sociais, mostrando valores exorbitantes. Esses valores são impossíveis de serem alcançados com regularidade. Eventualmente, pode até ser que sim, mas com regularidade é impossível”, disse o delegado Roni Silveira.
Conforme o delegado Roni Silveira, a estratégia levava investidores a acreditar que aplicavam diretamente em um grupo financeiro estruturado, quando, na verdade, a empresa não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem validação no sistema financeiro.

Ainda de acordo com o delegado Roni, as vítimas realizavam aportes acreditando na credibilidade do negócio. Com o tempo, foi identificada a formação de uma espécie de “bolha de pseudoinvestimentos”, na qual novos valores eram utilizados para pagar investidores anteriores.
A polícia também apontou que a ostentação do principal investigado, Douglas Fonseca, chamou atenção durante as apurações. Nas redes sociais, ele exibia uma rotina de alto padrão, com viagens e bens de luxo, o que ajudava a reforçar a confiança de possíveis investidores. O Portal ClubeNews aguarda posicionamento da defesa do citado.
“Viagens, ostentações com veículo de alto padrão, toda forma de ostentação. Isso também era uma forma de atrair aqueles que acreditavam estar de fato investindo em uma empresa séria no mercado de capitais. Outro detalhe que nos chamou a atenção era o fato de que eles se vendiam como atuantes no mercado há cinco, sete anos, quando, na verdade, nos principais registros, não datam dois anos”, comentou o delegado.
As investigações indicam que o grupo utilizava uma estrutura organizada, com práticas de fraude eletrônica e mecanismos para ocultar e dissimular os valores obtidos. A empresa, segundo a polícia, funcionava apenas como meio de atrair vítimas, sem atuação legítima no mercado financeiro.
PRISÕES E APREENSÕES
Na sexta-feira (10), uma operação em Teresina resultou na prisão de 10 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema. Outras duas seguem foragidas. Além das prisões, foram apreendidos veículos, relógios de luxo e outros bens. Somente o nome do empresário Douglas Fonseca, principal investigado, foi divulgado. A identidade dos outros presos durante a operação não foi informada pelas autoridades.

Até a publicação desta matéria, cerca de 70 vítimas podem ter sido vítimas somente na capital piauiense. A expectativa é que esse número aumente com a repercussão do caso.
Sobre as prisões, o delegado Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas da Secretaria de Segurança do Piauí, confirmou que foram em cumprimento de mandados de prisão temporária.
“A prisão temporária é de cinco dias, prorrogável por mais cinco dias. Os presos vão passar por audiência de custódia. Nós temos um prazo para terminar o inquérito policial. É muito importante que as vítimas compareçam na sede da Secretaria (de Segurança) ou em qualquer delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência”, comentou Zanatta.
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