
As canetas emagrecedoras ilegais se tornaram um dos produtos mais contrabandeados para o Brasil e já ocupam o segundo lugar entre as apreensões da Receita Federal na Alfândega de Foz do Iguaçu, atrás apenas dos smartphones. Grande parte desses medicamentos entra no país pela fronteira com o Paraguai, muitas vezes escondida em veículos, caminhões e até junto ao corpo de passageiros.
Entre os produtos apreendidos está a retatrutida, substância que ainda se encontra em fase final de testes clínicos e que sequer foi lançada oficialmente pelo laboratório responsável por seu desenvolvimento. Segundo a Anvisa, nenhuma caneta emagrecedora produzida no Paraguai possui registro para comercialização no Brasil.
A preocupação das autoridades aumenta porque não há garantia de que os produtos vendidos contenham realmente as substâncias anunciadas nas embalagens. A própria Receita Federal afirma que não é possível confirmar a composição dos medicamentos apreendidos. Já o laboratório responsável pela pesquisa da retatrutida informou que as versões comercializadas atualmente são apenas tentativas de reproduzir a molécula em estudo, sem qualquer comprovação de equivalência ao produto original.
A situação preocupa também no Paraguai. A Dinavisa, agência sanitária do país, publicou um alerta classificando a retatrutida como um “produto não registrado – risco grave”. O órgão destaca que a substância não possui autorização sanitária, não foi aprovada por agências reguladoras internacionais e permanece em fase experimental.
A reportagem do Fantástico encontrou diferentes marcas da suposta retatrutida sendo vendidas livremente em farmácias paraguaias. Em alguns casos, os produtos eram oferecidos em canetas, ampolas e até em pó, com origens variadas, incluindo China, Alemanha e Reino Unido.

Os riscos para quem utiliza essas substâncias são reais. O cabeleireiro Thalyson Salvino relatou que sofreu tremores, náuseas, vômitos, taquicardia e episódios de hipoglicemia após usar uma dessas versões para fins estéticos, necessitando de atendimento médico.
Análises laboratoriais realizadas em uma das canetas vendidas como retatrutida identificaram alterações na molécula do produto, o que impede qualquer garantia de segurança ou eficácia. Especialistas alertam que problemas no armazenamento, transporte ou fabricação podem comprometer ainda mais a substância e aumentar os riscos ao organismo.
O crescimento desse mercado ilegal preocupa as autoridades. Além das apreensões na fronteira, a Receita Federal já interceptou uma tonelada de produtos emagrecedores ilegais enviados da China para o Brasil e participou de operações que fecharam fábricas clandestinas em diferentes estados.
Diante do avanço do contrabando, o alerta é para que consumidores adquiram medicamentos apenas em farmácias autorizadas e sempre com orientação médica, evitando produtos vendidos por canais informais ou sem registro nos órgãos reguladores.
Com informações do Fantástico
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