O casal envolvido na morte do sargento José Arnóbio Farias Cardoso, da Polícia Militar do Piauí (PM-PI), também poderá responder pelo uso da filha no transporte de drogas. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu na frente da criança. Iara Maria Lima, de 22 anos, foi solta após audiência de custódia realizada no sábado (15) e responderá ao processo em liberdade.

De acordo com o delegado Abimael Silva, Iara é companheira de Lucas da Silva Oliveira, apontado como autor dos disparos que mataram o policial. Lucas se entregou à polícia após mais de 48 horas de buscas. Três suspeitos morreram em confrontos com a Polícia Militar durante a procura pelo acusado.

Ainda conforme o delegado, o casal pode ter a pena aumentada por ter transportado drogas com a filha na motocicleta.
“Eles estavam transportando droga na presença de uma criança. Geralmente, esses criminosos utilizam a própria família, às vezes o próprio filho, como uma espécie de escudo para tentar evitar uma abordagem policial ou simplesmente parecer que estão passeando com a família”, afirmou.
Segundo as investigações, o casal teria transportado drogas em um isopor enquanto estava na presença da filha. A Polícia Civil informou que o material foi descartado. Ao todo, cerca de 12 quilos de entorpecentes foram localizados, e as drogas só foram abandonadas após os suspeitos perceberem que estavam sendo seguidos.
“Ela foi liberada em audiência de custódia mediante medida cautelar, acredito que por ter uma filha menor de 12 anos. Porém, iremos esclarecer ao Judiciário que o transporte da droga foi feito na frente da filha”, afirmou o delegado.

Lucas passou por audiência de custódia nesta segunda-feira (17) e pode responder por tráfico de drogas com causa de aumento de pena, em razão do uso da filha na prática criminosa, associação para o tráfico e latrocínio. Segundo a polícia, ele roubou a arma do sargento antes de efetuar os disparos.
A Polícia Civil também informou que vai apresentar à Justiça elementos sobre a participação da criança no transporte da droga. A admissibilidade das acusações e a definição do enquadramento jurídico caberão ao Judiciário.

Dinâmica do crime
A Polícia Militar recebeu uma denúncia de que um homem estaria prestes a transportar uma grande quantidade de drogas. Equipes do serviço reservado acompanharam o suspeito e se posicionaram em pontos estratégicos. O sargento Arnóbio percebeu que o indivíduo seguia em uma motocicleta com um isopor. O homem entrou em um condomínio, seguiu até o fim da via e se desfez de 12 quilos de entorpecentes.
Na volta, houve uma colisão com o carro do sargento. Ele desceu do veículo e se aproximou da mulher, quando foi atingido pelas costas com um capacete. Arnóbio caiu ao chão e, em seguida, o agressor tomou sua arma e efetuou os disparos que resultaram em sua morte. O suspeito fugiu pelo mangue, abandonou a arma e, após 40 horas de buscas, se entregou na madrugada de domingo (16).
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