
A Justiça do Piauí determinou que o engenheiro Carlos Eduardo Marques Angelo seja submetido a júri popular pela morte do motociclista Edson Barbosa Dias, ocorrida em março de 2026, em um acidente no cruzamento das avenidas Frei Serafim e Miguel Rosa, no Centro de Teresina. Conforme a decisão, ele responderá por homicídio simples com dolo eventual, entendimento aplicado quando o acusado assume o risco de causar a morte. O réu continuará respondendo ao processo em liberdade até a realização do julgamento.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Piauí (MPPI), o acidente aconteceu por volta das 6h55 do dia 15 de março. Carlos Eduardo conduzia um carro quando teria avançado o sinal vermelho e atingido a traseira da motocicleta pilotada por Edson, que aguardava a abertura do semáforo.
A investigação apontou que o veículo estava a 94,6 km/h em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h. O laudo pericial também concluiu que não houve qualquer tentativa de frenagem antes da colisão.
Com a força da batida, o motociclista foi lançado cerca de 30 metros e morreu ainda no local. O exame cadavérico indicou politraumatismo como causa da morte. Já a motocicleta teria sido arrastada por aproximadamente 100 metros.

Ainda de acordo com os autos, o engenheiro havia passado a madrugada em uma casa noturna consumindo bebidas alcoólicas. Durante a ocorrência, policiais encontraram no interior do carro uma garrafa de cerveja parcialmente consumida e porções de maconha.
Embora tenha recusado o teste do bafômetro, Carlos Eduardo apresentava sinais compatíveis com embriaguez, conforme registrado em laudo pericial. O exame toxicológico também indicou a presença de canabinoides, substâncias associadas ao uso de maconha.
Em depoimento, o acusado negou ter agido com intenção de matar. Ele declarou que ingeriu pouca quantidade de álcool e afirmou que pode ter adormecido ao volante ou sofrido um lapso de consciência momentos antes da colisão.
A defesa solicitou a desclassificação do crime para homicídio culposo na direção de veículo automotor, hipótese em que não existe intenção de matar. O pedido, no entanto, não foi acolhido pelo magistrado.
Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que fatores como a suposta embriaguez, o uso de drogas, o excesso de velocidade e o avanço do sinal vermelho indicam que o motorista assumiu o risco de provocar o resultado fatal. Por esse motivo, o processo será submetido ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.
Na mesma decisão, o juiz afastou as qualificadoras de perigo comum e de recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo o entendimento do magistrado, essas circunstâncias já estão relacionadas aos fatos apurados no acidente e sua manutenção poderia caracterizar dupla valoração da mesma conduta.
Carlos Eduardo permanece em liberdade por determinação da 1ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), que revogou sua prisão preventiva, mantendo, entretanto, as medidas cautelares impostas durante a tramitação do processo.
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