30 de novembro de 2025

Presos em operação contra desvio de R$ 40 milhões na Semec são identificados e soltos após depoimento

De acordo com a PF, o grupo colaborou com as investigações e não houve necessidade da manutenção das prisões.
Atualizado há 3 dias

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Semec é alvo de operação da Polícia Federal (Foto: Anielle Brandão)

Os quatro alvos de prisão temporária na Operação Mãos Limpas, deflagrada na manhã desta quarta-feira (26) pela Polícia Federal, foram soltos após prestarem depoimento. Os investigados foram identificados como Francisco de Jesus dos Reis, Victor Almeida de Moura, Bruno Barbosa dos Santos e Francisco Aderson de Sousa Ramos.

De acordo com a PF, o grupo colaborou com as investigações e não houve necessidade da manutenção das prisões. A operação investiga desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Secretaria Municipal de Educação (Semec) de Teresina.

Quem são os investigados

Segundo a apuração, Francisco de Jesus dos Reis é sócio da antiga empresa Belazarte Serviços de Consultoria, atual Alfa Gestão de Recursos Humanos. O Portal ClubeNews tenta contato com a defesa da empresa e do investigado, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

Já os outros três suspeitos (Victor, Bruno e Francisco Aderson) são apontados como operadores financeiros em um esquema de lavagem de dinheiro. Eles seriam utilizados por Marcus Almeida, outro envolvido no esquema. Almeida não foi alvo de mandado da PF hoje porque já se encontra preso pela Polícia Civil, em decorrência de investigações conexas.

O esquema e a operação

A investigação, iniciada em 2023, aponta fraudes em licitações de 2019 e 2022 para terceirização de mão de obra na Semec. As irregularidades incluem direcionamento contratual, uso de empresas de fachada, superfaturamento e a prática de “rachadinha” (retenção de salários dos terceirizados).

A Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 40 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados para ressarcimento aos cofres públicos.

O outro lado

O ex-secretário da Semec, Nouga Cardoso, gestor da pasta durante três anos na administração do ex-prefeito Dr. Pessoa, afirmou que não identificou irregularidades durante sua gestão e que não reconhece os servidores alvos da operação. Ele destacou que não foi alvo de buscas, não foi procurado pelos órgãos de controle e soube do caso pela imprensa.

O atual secretário de Educação, Ismael Silva, confirmou que a PF e o TCE estiveram na sede da secretaria em busca de documentos e contratos de terceirização a partir de 2019. “É um inquérito que tramita em segredo de Justiça. Somente agora tivemos acesso e entregamos toda a documentação solicitada”, declarou.

Nota de Esclarecimento

A Secretaria Municipal de Educação de Teresina (SEMEC) informa que, na data de hoje, recebeu a visita de agentes da Polícia Federal e do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), que solicitaram esclarecimentos dos fatos sob investigação do Inquérito Policial n° 2023.0053163-SR/PF/PI, que tem a finalidade de colher elementos necessários às investigações relacionadas à Operação Gabinete de Ouro, que apuram suposto “esquema de rachadinha”, referente à gestão anterior.

Foram requisitados contratos de terceirização firmados pela pasta nos últimos anos, a partir de 2019. Relações de funcionários, notas de liquidação e comprovantes de pagamentos vinculados a esses contratos.

A SEMEC ressalta, no entanto, que tem prestado total colaboração às autoridades, fornecendo todos os documentos disponíveis e adotando as medidas necessárias para apoiar integralmente o trabalho de apuração.

A Secretaria reforça seu compromisso com a transparência, com a legalidade e com o interesse público e em colaborar com o inquérito que iniciou-se em 2023, permanecendo à disposição dos órgãos de controle para quaisquer esclarecimentos adicionais.

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