10 de setembro de 2026

PM é preso durante operação que investiga desvio de recursos públicos e fraudes em licitações no Piauí

Investigação aponta superfaturamento de obras; Justiça determinou bloqueio de quase R$ 23 milhões em bens e ativos

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Operação do MPPI. (Foto: MPPI)

Um policial militar do Piauí de iniciais W.M.C.J. está entre os quatro presos durante a operação (Des)concretar, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10), pelo Ministério Público do Piauí (MPPI) para apurar um suposto esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos no município de Floriano.

Segundo apuração da TV Clube, conforme a Corregedoria da Polícia Militar do Piauí, o policial militar, que já era alvo de um mandado de busca e apreensão, foi preso em flagrante após as equipes de investigação encontrar armas sem registro em sua residência. Posteriormente, ele foi colocado em liberdade após o pagamento de fiança.

“As circunstâncias e os fatos atribuídos ao militar ainda serão devidamente apurados pelas autoridades responsáveis, observando-se rigorosamente os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, bem como a presunção de inocência”, informou a Polícia Militar.

Além disso, a força-tarefa cumpriu 19 mandados de busca e apreensão. As prisões ocorreram em Teresina, enquanto as buscas também foram realizadas em Floriano com apoio das polícias Militar e Civil.

Material apreendido durante mandados. (Foto: MPPI)

A operação é coordenada pela 1ª Promotoria de Justiça de Floriano e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Durante as investigações, foram identificados indícios de direcionamento de processos licitatórios, aditivos contratuais considerados irregulares, superfaturamento de obras e movimentações financeiras suspeitas.

Segundo o Ministério Público, a apuração começou após uma representação feita por vereadores do município e teve como um dos focos contratos relacionados à reforma do Mercado Público Central de Floriano. Com a quebra dos sigilos bancário, telefônico e telemático dos investigados, os promotores identificaram um suposto esquema que envolvia empresas ligadas ao mesmo grupo econômico.

De acordo com a investigação, os contratos públicos seriam previamente ajustados para favorecer determinadas empresas. Após a contratação, aditivos sem respaldo legal teriam sido utilizados para aumentar os valores pagos pela administração pública.

Operação mira combate a organização criminosa e desvio de recursos públicos em Floriano. (Foto: MPPI)

O Ministério Público também aponta indícios de lavagem de dinheiro por meio da transferência de recursos entre contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado, seguida de saques fracionados em espécie para dificultar o rastreamento das operações financeiras.

As investigações ainda identificaram possíveis repasses de valores em dinheiro a um agente político do município, reforçando a suspeita de que parte dos recursos desviados era utilizada para manter o funcionamento do esquema.

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens, valores e ativos financeiros de investigados e empresas até o limite de R$ 22,99 milhões. Também foi determinada a suspensão das atividades das empresas envolvidas e dos contratos atualmente mantidos com o Município de Floriano.

Os investigados poderão responder por crimes como fraude em licitação, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público informou que as diligências continuam para identificar todos os envolvidos e recuperar os recursos que possam ter sido desviados dos cofres públicos.

NOTA À IMPRENSA

A Polícia Militar do Piauí, por meio da Diretoria de Inteligência, da Corregedoria-Geral e do Comando Policiamento Especializado, prestou apoio ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) no cumprimento de mandados de busca e apreensão decorrentes de operação conduzida por aquele órgão.

Durante a ação, um policial militar, identificado pelas iniciais W.M.C.J., foi conduzido pelas autoridades competentes em razão de sua condição de investigado no âmbito da operação.

As circunstâncias e os fatos atribuídos ao militar ainda serão devidamente apurados pelas autoridades responsáveis, observando-se rigorosamente os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, bem como a presunção de inocência.

A Polícia Militar do Piauí reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a adequada apuração de quaisquer fatos que possam contrariar os princípios e valores que regem a Instituição.


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