
Um policial militar do Piauí está entre os quatro presos durante a operação (Des)concretar, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10), pelo Ministério Público do Piauí (MPPI) para apurar um suposto esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos no município de Floriano.
Segundo apuração da TV Clube, conforme a Corregedoria da Polícia Militar do Piauí, o policial militar, que já era alvo de um mandado de busca e apreensão, foi preso em flagrante após as equipes de investigação encontrar armas sem registro em sua residência. Posteriormente, ele foi colocado em liberdade após o pagamento de fiança.
Além disso, a força-tarefa cumpriu 19 mandados de busca e apreensão. As prisões ocorreram em Teresina, enquanto as buscas também foram realizadas em Floriano com apoio das polícias Militar e Civil.

A operação é coordenada pela 1ª Promotoria de Justiça de Floriano e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Durante as investigações, foram identificados indícios de direcionamento de processos licitatórios, aditivos contratuais considerados irregulares, superfaturamento de obras e movimentações financeiras suspeitas.
Segundo o Ministério Público, a apuração começou após uma representação feita por vereadores do município e teve como um dos focos contratos relacionados à reforma do Mercado Público Central de Floriano. Com a quebra dos sigilos bancário, telefônico e telemático dos investigados, os promotores identificaram um suposto esquema que envolvia empresas ligadas ao mesmo grupo econômico.
De acordo com a investigação, os contratos públicos seriam previamente ajustados para favorecer determinadas empresas. Após a contratação, aditivos sem respaldo legal teriam sido utilizados para aumentar os valores pagos pela administração pública.

O Ministério Público também aponta indícios de lavagem de dinheiro por meio da transferência de recursos entre contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado, seguida de saques fracionados em espécie para dificultar o rastreamento das operações financeiras.
As investigações ainda identificaram possíveis repasses de valores em dinheiro a um agente político do município, reforçando a suspeita de que parte dos recursos desviados era utilizada para manter o funcionamento do esquema.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens, valores e ativos financeiros de investigados e empresas até o limite de R$ 22,99 milhões. Também foi determinada a suspensão das atividades das empresas envolvidas e dos contratos atualmente mantidos com o Município de Floriano.
Os investigados poderão responder por crimes como fraude em licitação, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público informou que as diligências continuam para identificar todos os envolvidos e recuperar os recursos que possam ter sido desviados dos cofres públicos.
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